Em Vez de Respostas, Processos: O Ataque de Paranhos Contra Quem Cobra Transparência (Veja o Processo)

Em Vez de Respostas, Processos: O Ataque de Paranhos Contra Quem Cobra Transparência (Veja o Processo)
Publicado em 19/06/2026 às 18:29

Por que um homem público escolhe os tribunais e o sigilo em vez da transparência frente aos seus eleitores?

A regra básica da vida pública é simples: quem administra ou já administrou o dinheiro do povo não tem o direito de se esconder nas sombras da obscuridade. No entanto, o ex-prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos da Silva, parece ter esquecido essa premissa básica da democracia. Diante de questionamentos legítimos sobre a evolução de seu patrimônio, a resposta do político não tem sido a clareza, mas sim a tentativa de silenciamento.

Qual é, afinal, o medo de Paranhos?

Documentos recentes mostram que o ex-prefeito preferiu acionar a Justiça a dar explicações. No processo de número 0029261-18.2026.8.16.0021, movido no último dia 18 de junho de 2026, Paranhos figura no polo ativo processando profissionais da comunicação (Evandro da Rosa Nicolao e Gabriel Juliano Bertolucci Rodrigues). A pergunta que ecoa nas ruas de Cascavel é inescapável: por que processar a imprensa? A judicialização da crítica e do questionamento é, frequentemente, a ferramenta de quem prefere calar o mensageiro a ter que lidar com a mensagem.

Onde estão as “lives” da transparência?

Durante seu mandato como prefeito, Paranhos era uma figura onipresente nas redes sociais. Fazia “lives” corriqueiras, dialogava com a câmera, mostrava-se acessível e proativo. Por que, agora, diante de um tema tão sensível e de imenso clamor popular, o silêncio se tornou ensurdecedor?

Se não há o que esconder em relação ao crescimento espetacular de seu patrimônio, a solução seria das mais simples: Paranhos poderia, hoje mesmo, abrir uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, expor sua declaração de Imposto de Renda, abrir o sigilo de suas contas e demonstrar, centavo por centavo, a origem de seus bens. O silêncio, neste caso, cobra um preço alto da confiança pública. Por que não encerrar esse assunto de uma vez por todas?

O escudo do Segredo de Justiça contra o Interesse Público

O mais preocupante, contudo, é a manobra em busca do segredo de justiça. Como demonstram as próprias normativas do Ministério Público do Estado do Paraná (Ato Conjunto nº 001/2019-PGJ/CGMP), o Artigo 57 é cristalino: “Aplica-se ao Inquérito Civil o princípio da publicidade dos atos”. O sigilo é a exceção, não a regra, e deve ser decretado apenas por “interesse público ou para preservação da intimidade”.

A evolução patrimonial de um homem que geriu o orçamento de Cascavel não é uma questão de “intimidade” privada; é, em sua essência, a definição máxima de interesse público. Pedir segredo de justiça em temas que envolvem o escrutínio sobre o enriquecimento de um ex-gestor soa como uma afronta ao cidadão que paga impostos.

A população precisa cobrar

Não se pode aceitar que a transparência seja usada apenas como slogan de campanha e descartada quando a prestação de contas se faz necessária. A população de Cascavel tem o dever cívico de cobrar respostas.

Um homem público, cujo currículo foi forjado na administração dos recursos da cidade, não pode ter sua vida financeira blindada sob segredo de justiça quando questionada. É hora de Paranhos abandonar os processos judiciais contra quem pergunta e assumir a responsabilidade de quem deve responder. Cascavel aguarda, ansiosamente, a próxima “live”. Desta vez, com os extratos na mesa.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

Clima
WhatsApp