O Rombo de R$ 2 Milhões: A Folha de Pagamento que a População de Sulina Não Conhece

No município de Sulina, no Paraná, o abismo entre a realidade da população e a da classe política dirigente parece ficar cada dia mais profundo. Enquanto o cidadão sulinense comum sobrevive com uma renda média que, segundo dados históricos do IBGE, beira pouco mais de um a dois salários mínimos por trabalhador formal, um grupo seleto continua embolsando cifras que geram revolta e sérios questionamentos morais.
Comandada por velhos conhecidos da política local, a cidade assiste a um triste espetáculo: famílias que há anos não largam a chave do cofre tratam a máquina pública como o quintal de suas próprias casas. E a pergunta que ecoa nas ruas é uma só: o que justifica abrigar tantos “amigos” e apadrinhados na folha de pagamento?
A resposta passa, obrigatoriamente, pela cadeira do atual prefeito, Gilberto Rossi. A caneta que nomeia, que autoriza e que mantém esse escoadouro de dinheiro público tem dono. O Executivo tem a obrigação moral de explicar qual é a dívida política que está sendo paga com o dinheiro do contribuinte para justificar um aparelhamento tão descarado.
O Custo do Silêncio da Câmara Municipal
Esse tipo de atrocidade fiscal não acontece no vácuo. Onde estão os vereadores de Sulina? A principal função do legislativo municipal é fiscalizar o uso do dinheiro público, mas o silêncio da Câmara diante de uma folha de pagamento inflada sugere conivência. Quando os vereadores fecham os olhos e abandonam seu dever de fiscalização, o Executivo ganha carta branca para transformar a prefeitura em um balcão de negócios. A omissão de quem deveria proteger o povo é o que financia essa farra.
O Rombo Milionário: R$ 2,1 Milhões para Sete Pessoas
Um levantamento recente, com dados extraídos do Portal de Transparência (Cidade360) referente a abril de 2026, escancara o esquema. Apenas sete servidores geram um custo mensal de R$ 43.787,77. Projetando esse valor para um mandato regular de quatro anos (48 meses), esse pequeno e privilegiado grupo retirará do município o montante espantoso de R$ 2.101.812,96.
E o detalhe mais alarmante: esse cálculo nem sequer inclui os reflexos automáticos como 13º salário, terço de férias ou reajustes anuais. O sangramento real é muito maior.
Os Números da Vergonha e o Histórico da “Panela”
A lista de pagamentos revela distorções absurdas e um rodízio de poder que corrói a democracia local. Cargos que no mercado privado jamais pagariam tais cifras são usados para manter a elite política no controle. Veja o detalhamento dos proventos mensais e o que esses nomes acumulam em 48 meses:
- Paulo Horn (Ex-Prefeito, atuando como Contador): Salário mensal de R$ 17.765,17, totalizando absurdos R$ 852.728,16. Horn, que já sentou na principal cadeira do Executivo, agora drena os cofres em uma função burocrática, garantindo que sua influência (e seu contracheque) não saiam da prefeitura.

- Ari Pedro Lorini (Ex-Vice-Prefeito, Diretor de Administração): R$ 4.622,21 mensais (Acumulado: R$ 221.866,08). A velha dobradinha do Executivo passado continua ditando as regras e recebendo do município, provando que em Sulina o poder apenas muda de sala.

- Gelso Roberto Chioquetta (Auxiliar Administrativo I): Um cargo de nível auxiliar com um provento assustador de R$ 12.617,67 ao mês, sugando R$ 605.648,16 dos cofres em uma gestão. Como o prefeito Gilberto Rossi justifica pagar 12 mil reais a um auxiliar administrativo?
- Lucas Jose Chioquetta (Diretor de Engenharia): R$ 4.159,99 mensais (Acumulado: R$ 199.679,52). Mais um membro da mesma família ocupando cargo de direção.
- Edineia Aparecida Lorini de Moura (Diretora do CRAS): R$ 3.244,88 mensais (Acumulado: R$ 155.754,24). A perpetuação do sobrenome Lorini nas diretorias municipais.
- O Escândalo dos “Aprendizes”:
- Bruna Chioquetta (Aux. Administrativo Aprendiz): R$ 810,50 mensais.
- Pedro Henrique França Lorini (Aux. Administrativo Aprendiz): R$ 567,35 mensais.
Até mesmo os programas de jovem aprendiz — criados para dar oportunidades a jovens de famílias carentes que precisam entrar no mercado de trabalho — parecem ter sido aparelhados. Colocar menores e jovens das famílias Chioquetta e Lorini na folha sob o pretexto de “aprendizagem” é um tapa na cara da juventude sulinense que busca, sem sucesso, a sua primeira oportunidade de emprego.

Sulina Não é Capitania Hereditária
O que mais agride o senso de justiça não é apenas o valor global de mais de dois milhões de reais, mas a falta de pudor. A repetição descarada dos sobrenomes Chioquetta e Lorini e a reciclagem de ex-prefeitos provam que a prefeitura se tornou uma extensão do orçamento dessas famílias.
A responsabilidade primária é do atual prefeito, Gilberto Rossi, que usa sua caneta para endossar esse absurdo, e da Câmara de Vereadores, que assiste a tudo em um silêncio sepulcral e cúmplice. Sulina não é uma capitania hereditária. Enquanto o Ministério Público e os órgãos de controle não entrarem em ação para investigar a moralidade e a legalidade desses atos, restará ao povo a dura realidade de bancar o conforto inabalável dessa elite.
A cidade exige respostas: até quando a prefeitura será o balcão de negócios de meia dúzia de privilegiados?
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
