Veja o vídeo: O grito por justiça no caso Nando e o desabafo “Minha vida parou, nunca mais vou escutar ele me chamando de mãe”

Veja o vídeo: O grito por justiça no caso Nando e o desabafo “Minha vida parou, nunca mais vou escutar ele me chamando de mãe”
Publicado em 22/06/2026 às 19:18

Em vídeo exclusivo enviado ao Notícias Cascavel, mãe detalha o dia do atropelamento, relata descaso da motorista e critica penas alternativas recebidas pela ré: “A única coisa que me restou foi lutar”.

A dor de uma perda irreparável e a revolta contra a sensação de impunidade marcam o relato angustiante da mãe do pequeno Nando. Em um desabafo exclusivo em vídeo enviado à redação do Notícias Cascavel, ela expõe, em prantos, os detalhes chocantes do dia em que perdeu o filho e a frieza com que a família vem sendo tratada ao longo de todo o processo judicial.

Um dia de comemoração que terminou em tragédia

O fatídico dia 14 de junho deveria ser apenas de alegria para a família. Nando, que tinha TDAH e dislexia, enfrentava dificuldades de aprendizado, mas havia se saído muito bem na “prova Cascavel” naquela semana. Como recompensa pelo seu esforço, ele foi autorizado pela mãe a comemorar indo ao cinema e a uma sorveteria com um amigo.

Após o trabalho, a mãe encontrou o menino, fechou a agência e ambos aguardavam na calçada, na esquina, esperando para atravessar na faixa de pedestres. Foi nesse momento que a motorista, Márcia Pereira Sobrinho, furou a via preferencial e atingiu um motociclista. Em vez de parar para prestar socorro, ela continuou acelerando.

O relato da mãe descreve uma verdadeira cena de terror: a condutora subiu com o veículo na calçada, passou sobre as pernas da mãe, atropelou Nando e o arrastou por 18 metros. Segundo a mãe, a motorista tinha o controle da direção, pois conseguiu desviar de uma vidraça, de um coqueiro e de um poste, parando o veículo apenas porque ela correu atrás gritando pelo filho. No entanto, ao tentar movimentar o carro após parar, a motorista acabou passando sobre a cabeça da criança, tirando qualquer chance de sobrevivência do menino.

Omissão de socorro e mentiras

De acordo com as imagens de câmeras de segurança com áudio mencionadas no vídeo, a atitude da motorista causou ainda mais dor e revolta. Ela não se aproximou para ajudar nem o motociclista ferido, nem o pequeno Nando. Ao ser confrontada por um senhor no local sobre o que havia feito com a criança, ela mandou que ele parasse de “encher o saco” e fosse rezar.

A mãe também denuncia que a condutora mentiu em seu depoimento à Justiça, alegando que o pai de Nando tentou agredi-la no local do acidente. Contudo, a mãe esclarece que o pai da criança só chegou ao local quando o menino já estava em óbito, sem sequer ter a chance de se despedir do filho.

“Eu nunca mais vou escutar a vozinha dele me chamando de mãe”

Somado a toda essa brutalidade, a notícia da sentença chegou da pior forma possível: a mãe afirma ter descoberto tudo através das redes sociais e da mídia, sem qualquer aviso prévio ou contato oficial da Justiça. A tragédia deixou uma ferida que não se fecha e o registro mostra o vazio de uma vida que “parou” após a perda. Com profunda tristeza, ela chora o fato de que nunca mais poderá arrumar as roupinhas do filho para ir à escola e lamenta que nunca mais escutará a voz dele a chamando de mãe.

“Faz dois anos que eu carrego essa dor, essa angústia comigo, e nada vai tirar. A única coisa que me restou foi lutar por justiça. Não é justo, não é justo isso”, desabafa a mãe no registro.

O abismo entre a lei e a justiça: os detalhes da pena

Enquanto a família lida com um luto perpétuo pelas circunstâncias violentas do atropelamento, o desfecho nos tribunais gerou forte indignação. Pelo fato de a ré ser primária e a condenação ser relativa a um crime culposo (quando a Justiça entende que não houve intenção de matar), a legislação brasileira permitiu a substituição da prisão por penas alternativas.

A condenação foi estabelecida com os seguintes critérios:

  • Pena total: 4 anos e 2 meses de detenção.
  • Prestação de serviços: Trabalho comunitário por período igual ao da pena, na razão de apenas uma hora por dia de condenação.
  • Multa pecuniária: Pagamento de três salários mínimos.
  • Restrição de direção: Suspensão do direito de dirigir por um curto período de cinco meses.

A discrepância entre o valor inestimável da vida de uma criança e a leveza das penas alternativas levanta um debate urgente sobre o nosso sistema judiciário. Diante de um sistema que parece virar as costas para as vítimas, a indignação da mãe levanta um questionamento duro que ecoa na sociedade: “Quanto vale a vida de uma criança? Dois anos? Regime semiaberto?”. Para a família de Nando, a condenação não reflete a gravidade e o terror vivido naquele dia, deixando a amarga constatação de que a verdadeira justiça ainda não foi feita.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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