Marcha das Mulheres Negras 2025: Oeste do Paraná se Une por Reparação e Bem Viver

Marcha das Mulheres Negras 2025: Oeste do Paraná se Une por Reparação e Bem Viver
Publicado em 30/11/2025 às 16:03

Brasília recebeu, no dia 25 de novembro de 2025, um dos maiores atos políticos e espirituais da história recente do país: a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que reuniu cerca de 300 mil mulheres de todas as regiões. Em um mar de vozes, tambores, cânticos e ancestralidade, o ato reafirmou o protagonismo das mulheres negras na luta por justiça, dignidade e transformação social.
O início da marcha foi marcado por um momento de profunda força espiritual: as mulheres de terreiros, sacerdotisas, yalorixás, ekedes e mães de santo, abriram a caminhada abençoando o trajeto com seu Axé, evocando as ancestrais que pavimentaram séculos de resistência. Foi um chamado poderoso à memória, à espiritualidade e à continuidade da luta das mulheres negras que sustentam o Brasil com fé, tradição e resistência cultural.


Do Oeste do Paraná, uma delegação de 17 mulheres representou Cascavel e diversas cidades da região. Em um estado marcado pelo racismo estrutural, pelo machismo e pela misoginia, essa presença foi um ato político de coragem. A mobilização contou com a organização e o apoio de lideranças como Lidinalva, presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir), e Laysmara, integrante ativa do movimento de mulheres negras. Ambas, mesmo sem conseguirem estar fisicamente na marcha, foram essenciais na construção das pautas e no fortalecimento da delegação.
A presidente do Compir escolheu como representante oficial para falar pelo Oeste do Paraná a liderança Duda Jankauskas, mulher travesty preta, educadora social, militante dos direitos humanos e figura crescente na política regional. Duda, que obteve 1.245 votos nas eleições municipais de 2024, conquistando a suplência em Cascavel, tem expandido seu projeto político para todo o Oeste, articulando formação, políticas públicas e fortalecimento das lutas territoriais.
Apesar de estar programada para discursar no trio elétrico, Duda não conseguiu falar devido a problemas técnicos no caminhão e ao avançar do horário. Ainda assim, sua presença foi amplamente reconhecida:
“Seguiremos na luta. A voz do interior precisa ser escutada. Não é porque não falei no trio que nossa pauta deixa de existir. Estamos vivas, organizadas e somos muitas”, afirmou.

A delegação levou também ao centro do debate nacional a realidade vivida por mulheres indígenas do Oeste do Paraná, sobretudo na região de Guaíra, Terra Roxa e na divisa com o Mato Grosso do Sul. A representação veio na figura de Ana, mulher indígena que enfrenta diversas violências ao lutar por reparação, território e respeito aos direitos originários. Para Duda, esse enfrentamento é coletivo:
“A violência contra a mulher indígena é violência contra todas nós. A reparação só existe quando a ancestralidade originária é respeitada”.
Outro ponto central trazido pela delegação foi a presença e a resistência das mulheres de terreiros da região, que seguem atuando politicamente nos territórios despite da intolerância religiosa crescente. Duda enfatizou que essas mulheres são guardiãs da espiritualidade e pilares fundamentais na formação social e cultural do interior do estado.
A Marcha reforçou a necessidade de união entre mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, mulheres de axé e mulheres travestis, que seguem enfrentando a violência, o apagamento e a negligência institucional. Duda foi reconhecida pela delegação como um nome forte de representatividade, tanto por sua identidade quanto pela força com que articula as causas do interior.
Mesmo diante dos contratempos, a energia da delegação do Oeste do Paraná marcou a Marcha. A força espiritual das ancestrais, o Axé das mulheres de terreiros e a luta política de 300 mil mulheres ecoaram por Brasília e continuarão ecoando nos territórios, nas aldeias, nos quilombos e nas periferias — onde essas vozes nunca serão silenciadas.

Reparação, bem viver e justiça: o Oeste do Paraná segue marchando.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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