Novos áudios vazados: A engrenagem de extorsão dentro da Sanepar

Uma nova série de áudios que chegou ao Site Notícias Cascavel na noite desta quinta, dia 15, detalha um suposto mecanismo de extorsão e perseguição dentro da Sanepar. As conversas envolvem Wellington Bedeu, Rogério Pazzoto e Adriano Negrão e descrevem um cenário onde a manutenção dos cargos dependia de pagamentos constantes e compra forçada de convites.
O material aponta para uma estrutura organizada que utilizava o medo como ferramenta de gestão. Segundo os relatos, a frase “você gosta de trabalhar aqui?” funcionava como senha para coagir funcionários a entregar dinheiro.
A mecânica da cobrança
Nos diálogos transcritos, Wellington Bedeu narra episódios em que servidores eram obrigados a adquirir ingressos para eventos com a recomendação expressa de não comparecer. Um dos casos cita um baile cujos convites custavam quinhentos reais.
Segundo a denúncia, Estabile, apontado como executor das ordens, teria entregado os ingressos diretamente a Rafael na presença de um secretário identificado como Fabrício. Para cumprir as cotas impostas pela chefia, Bedeu relata que precisou contrair empréstimos junto ao sindicato e redistribuir os convites entre gerentes e coordenadores, assumindo o prejuízo pessoal para evitar represálias.
A armadilha administrativa
O ponto mais grave levantado nas conversas refere a uma estratégia perversa para eliminar funcionários antigos. Os relatos indicam que, após serem coagidos a entregar dinheiro para permanecer na empresa, os servidores foram alvo de comissões disciplinares e demitidos sob a acusação de terem participado de irregularidades.
“O cara pediu dinheiro o ano inteiro, nós demos sob ameaça. Depois ele e a Priscilla montaram uma comissão e mandaram a gente embora porque nós demos dinheiro”, afirma Bedeu em um dos trechos, evidenciando que a própria extorsão foi usada como prova contra as vítimas.
Valores elevados e rota do dinheiro
As cifras mencionadas nas gravações indicam um fluxo financeiro intenso. Wellington Bedeu menciona que Rogério Pazzoto teria repassado mais de 100 mil reais ao esquema em apenas um ano. O próprio Bedeu alega ter acumulado dívidas superiores a 60 mil reais para atender às demandas.
Ainda segundo os áudios, a coleta dos valores envolvia um homem chamado Jamal, citado como alguém vindo “do palácio”, sugerindo uma conexão externa com a sede do governo estadual.
Cadeia de comando
As gravações detalham a divisão de tarefas no grupo. Enquanto Cláudio Stabile é descrito como quem executava as ordens e possuía uma postura implacável, a liderança das ações é atribuída a Priscilla. Conforme o relato de Bedeu, era ela quem determinava as diretrizes do esquema que resultou na demissão por justa causa de funcionários com quase três décadas de casa, deixando os sem direitos trabalhistas e endividados.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
