Raio-X da Vergonha: Renato, Hudson e Paranhos e a lista de servidores promovidos após o escândalo do abuso

Raio-X da Vergonha: Renato, Hudson e Paranhos e a lista de servidores promovidos após o escândalo do abuso
Publicado em 30/01/2026 às 21:03

O que deveria ser o capítulo final de justiça para as vítimas de abuso infantil em Cascavel revelou-se, na verdade, o ato mais perverso de uma tragédia anunciada. A conclusão da CPI não foi um instrumento de limpeza ética, mas sim a consolidação de um grande acordo político orquestrado para salvar as carreiras de Renato Silva, seu vice Mecabo, o ex-prefeito Paranhos e, vergonhosamente, o relator Hudson Moreschi. O relatório final é a prova documental de que, nesta gestão, a fidelidade partidária e o apoio em campanha valem mais do que a integridade física das crianças dentro das escolas.

Henrique Mecabô/Renato Silva/ Maxsoel Schimidt

A hipocrisia tem nome e sobrenome. Hudson Moreschi, que posou de fiscal da lei na relatoria da CPI, protagonizou um dos maiores conflitos de interesse da história legislativa da cidade. Como poderia haver isenção quando os investigados são os mesmos cabos eleitorais que inundaram as redes sociais e as ruas pedindo votos para ele, para Renato Silva e para Mecabo? A proximidade de Hudson com os arrolados não é apenas suspeita, é escandalosa. As fotos de campanha, os abraços em palanques e o engajamento digital expõem que a “investigação” nunca teve o objetivo de punir, mas de controlar danos. Hudson não foi um juiz imparcial; foi o advogado de defesa de luxo de um grupo que precisava ser blindado para não contaminar a eleição de Renato Silva.

Hudson Moreschi e Maxsoel Schimidt/ Eleição de 2024
Maxosel Teve ciência da instauração do PAD 4118/2021 e da ausência de andamento, mas não adotou e nem
recomendou a superior hierárquico, medidas administrativas para cobrar celeridade da Controladoria;
Limitou-se a aguardar ofícios e solicitações formais, em vez de adotar postura proativa diante de
caso envolvendo crimes contra vulneráveis.

O papel do atual prefeito Renato Silva e de seu vice Mecabo é de uma omissão dolosa e cúmplice. Ao manterem o silêncio e permitirem a realocação dos acusados, eles assinam embaixo de toda a negligência da era Paranhos. Renato Silva nada fez porque agir significaria cortar na própria carne de sua base de apoio. A prefeitura tornou-se um refúgio para incompetentes leais. O relatório aponta agora para Francisca de Carvalho Rojo, Diretora do Departamento Administrativo da SEMED, citada para apuração de “negligência na gestão de pessoal e omissão no dever de assegurar o cumprimento de restrições funcionais”. Enquanto falhava em garantir que servidores perigosos ficassem longe das crianças, Francisca, assim como os outros citados, estava ativa nas ruas e redes sociais garantindo a eleição do grupo político. Da mesma forma, Maxsoel Schimidt, cuja omissão foi gritante, encontrou abrigo na Procuradoria do Município. Rosane Brandalise, em vez de ser afastada, foi premiada com cargos no Ceavel e agora retorna à SEMED como Coordenadora Pedagógica. É o deboche institucionalizado: quem falha em proteger crianças ganha promoção.

Francisca de Carvalho Rojo
Até 2025 – Diretora Administrativa
2026 – Diretora do Ceavel
Rosane Aparecida Corrêa Brandalise
2017-2024 – Diretora Pedagógica
2025 – Diretora Ceavel
2026 – Coordenadora Pedagógica

Mas o troféu da impunidade vai para o desfecho do caso Márcia Baldini. O “castigo” para a Secretária de Educação, sob cuja gestão o sistema colapsou e permitiu o inimaginável, não foi a exoneração desonrosa ou a responsabilização civil, mas sim uma confortável aposentadoria e uma sucessora, conhecida como sua “discípula”: Gislaine Buraki. Enquanto as famílias das vítimas carregarão o peso do trauma e da dor por décadas, Baldini vai para casa com seus proventos garantidos, blindada pelo sistema que ela ajudou a alimentar. Sua saída estratégica serve como uma luva para a narrativa de Renato Silva e Paranhos: remove-se a peça do tabuleiro para que o jogo continue exatamente igual.

Gislaine Buraki e Marcia Baldini

O ex-prefeito Paranhos, pintado no relatório como uma vítima da “má assessoria”, sai ileso graças a um malabarismo jurídico vergonhoso do relator Hudson. Dizer que o chefe do executivo não sabia o que acontecia em sua própria casa é atestar sua incompetência ou sua conivência. A blindagem a Paranhos foi o pagamento antecipado pelo apoio que elegeu Renato Silva.

A CPI do Abuso Infantil entra para a história de Cascavel não pelos seus resultados, mas pela sua covardia. Foi um teatro de cartas marcadas onde o roteiro já estava escrito: sacrificar a verdade para salvar o projeto de poder. As crianças de Cascavel foram abusadas duas vezes: primeiro pelos criminosos nas escolas, e agora pelos políticos nos gabinetes, que preferiram garantir a aposentadoria dos amigos e os votos da próxima eleição a fazer justiça.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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