Pedágios do Paraná: Estradas do Descaso, Enriquecendo Poucos e Enterrando Muitos

Durante cinco anos, o paranaense viveu sob a promessa de um novo amanhã nas estradas. Acompanhamos o fim melancólico do antigo Anel de Integração e o parto doloroso das novas concessões. O discurso oficial, entoado pelo Governador Ratinho Junior e seu Secretário de Infraestrutura, Sandro Alex, era sedutor: o Paraná se tornaria um canteiro de obras, as tarifas cairiam pela metade e a modernidade finalmente chegaria.

Hoje, a realidade se impõe com a brutalidade do asfalto que tira vidas: fomos enganados.
O que nos foi vendido como a maior concessão da América Latina revela-se, dia após dia, um emaranhado de armadilhas contratuais e insegurança jurídica. A promessa de tarifas 50% mais baratas evaporou. O que vemos nas cabines são valores que já superam os contratos antigos, com um agravante perverso escondido nas entrelinhas do edital: o degrau tarifário.
Ao analisar os termos, encontramos a institucionalização do absurdo. Existem diversas pegadinhas. Uma delas é o degrau tarifário de 40% em realização de obras. Ou seja, se a concessionária realizar as obras, que são sua obrigação contratual, ela ganha o direito de aplicar um aumento de 40% na tarifa. Criou-se um sistema onde o usuário paga caro para entrar na rodovia e pagará ainda mais caro se a empresa fizer o mínimo que se espera dela.
Além disso, o “presente” do governo para o povo inclui quinze novas praças de pedágio. Estamos cercando o estado, não para protegê-lo, mas para extrair até o último centavo de quem produz e transporta.
A gravidade da situação exige a intervenção imediata do Ministério Público Federal. Há indícios alarmantes sobre a saúde financeira das empresas que assumiram nossas estradas. Como explicar, por exemplo, que uma empresa vencedora de um lote bilionário tenha sido fundada em 29/08/2025, vencido a licitação em outubro do mesmo ano, possuindo um Capital Social de apenas R$ 40,00?
A pergunta ecoa sem resposta: Quem garante a execução das obras? Quem pagará a outorga de aproximadamente 400 milhões de reais devido ao desconto dado na tarifa base? Estamos entregando a logística de um dos estados mais produtivos do agronegócio na mão de aventureiros? Se a empresa quebrar amanhã, quem assume o prejuízo é, novamente, o contribuinte.

Para entender o tamanho do assalto ao bolso do paranaense, basta olhar para o resto do país. Enquanto em rodovias federais o custo por quilômetro rodado historicamente se mantém em patamares aceitáveis para a manutenção, no Paraná institucionalizamos o pedágio mais caro do mundo proporcionalmente à renda. Em outras concessões federais recentes, o foco foi no menor valor de tarifa. No Paraná, o modelo híbrido com aporte e degrau tarifário criou uma distorção. Pagamos preço de autoestrada alemã para trafegar em pistas que matam.

O símbolo máximo desse fracasso é a BR-277. A prometida duplicação total de Foz do Iguaçu até Paranaguá, vital para o escoamento da safra e para o turismo, nunca saiu do papel. O que temos não chega a 20% do trecho duplicado. Quantas famílias mais terão que chorar seus mortos em colisões frontais numa pista simples e saturada? A cada acidente fatal na BR-277, há uma parcela de culpa nas mãos de quem desenhou esse modelo e de quem prometeu obras que nunca vieram. A rodovia não é apenas um caminho; hoje, ela é um risco de vida calculado no custo do frete.

Não foi falta de aviso. O Engenheiro Agrônomo Mário de Sá tem sido uma voz solitária e corajosa nesse deserto de omissões. Presente em audiências públicas na Assembleia Legislativa do Paraná e na Câmara dos Deputados em Brasília, Mário alertou incansavelmente que seria mais do mesmo, e ainda com 15 novas praças de pedágio.

Ele, que dissecou os editais enquanto políticos faziam discursos vazios, hoje constata com tristeza que estava certo. Segundo Mário de Sá, a população caiu no conto do vigário. O marketing de que temos uma infraestrutura excelente é vendido para fora, para investidor inglês ver. Quem mora aqui e precisa viajar sabe a verdade: acostamentos sucateados, sinalização precária e o medo constante.
Não somos contra o pedágio, somos a favor do justo. Somos a favor do investimento real, da vida preservada e da transparência. O que está acontecendo no Paraná é um escândalo anunciado. O governo deve explicações claras. Onde estão os documentos que comprovam a capacidade financeira da empresa de 40 reais?
Não vamos desistir de cobrar. A sociedade civil, o setor produtivo e a imprensa livre devem estar atentos. Como bem alertou quem estudou o processo desde o início: O Golpe tá aí. Cai quem quer. E o Paraná se recusa a cair novamente.

Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
