Dinheiro na Cova: Como a Gestão Paranhos Enterrou R$ 885 Mil do IPMC em Fundo de Cemitérios do Banco Master

Liquidação expõe esquema que sugou R$ 885 mil da previdência de Cascavel. Documentos revelam milhões investidos em cemitérios. A Polícia já faz buscas no Amazonas e o cerco se fecha contra os responsáveis.
CASCAVEL (PR) — A recente liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central não é apenas um escândalo econômico distante. É uma tragédia com impacto direto e doloroso nos servidores públicos de Cascavel. O desastre financeiro deixou um buraco exato de R$ 885.000,00 nos cofres do Instituto de Previdência do Município de Cascavel, o IPMC. A pergunta que ecoa com força nos corredores do paço municipal e nas casas dos trabalhadores é uma só: quem vai pagar essa conta?
Para compreender a gravidade da situação, é preciso lançar luz sobre os investimentos bizarros autorizados durante a gestão do ex-prefeito Leonaldo Paranhos, com a total anuência do então presidente do instituto, Alcineu Gruber.
O Banco Master, que agora se encontra sob liquidação extrajudicial, figura como sócio da MASTER PATRIMONIAL LTDA, uma empresa que ostenta um capital social declarado de impressionantes R$ 37.205.044,00. O que chama a atenção, e causa indignação, é o destino do dinheiro cascavelense. Um dos braços macabros dessa teia de investimentos na carteira do município era o fundo BRAZILIAN GRAVEYARD AND DEATH CARE SERVICES FII CARE11, focado pura e simplesmente em serviços funerários e cemitérios.
Literalmente, o dinheiro da aposentadoria dos cascavelenses foi parar na cova.
O Sobe e Desce do Dinheiro Público
Documentos oficiais obtidos com exclusividade revelam o histórico assustador desse investimento fúnebre. O sobe e desce do dinheiro público é gritante e expõe a vulnerabilidade a que o patrimônio dos servidores foi submetido:
- Fevereiro de 2018: O saldo atual desse fundo de cemitérios fechou em R$ 7.393.546,97.
- Abril de 2018: A situação demonstrou forte volatilidade. Um saldo anterior de R$ 9.212.901,46 derreteu rapidamente para um saldo atual de R$ 8.632.256,41.
- Junho de 2018: A montanha-russa financeira continuou, e o valor saltou para um saldo atual de R$ 9.483.009,15.
Foram milhões de reais dos servidores municipais balançando ao sabor de negócios obscuros e de altíssimo risco. A irresponsabilidade, neste caso, parece não ter tido limites. Investir recursos previdenciários de uma vida inteira de trabalho nestes fundos não é uma simples diversificação de portfólio. É jogar roleta-russa com o futuro e o suor alheio.
A gestão Paranhos passou anos vendendo uma imagem de eficiência intocável, mas, na surdina, empurrou o IPMC para uma armadilha financeira que agora cobra a sua fatura pesada.
O Cerco Policial e o Fim da Impunidade
E a impunidade tem prazo de validade. Na manhã de hoje, o escândalo ganhou contornos policiais pesados. A Polícia deflagrou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra servidores no Estado do Amazonas, focando diretamente na AmazonPrev. A operação investiga exatamente a mesma teia de fundos e investimentos tóxicos do Banco Master que engoliu o dinheiro de Cascavel.


O recado está dado aos envolvidos locais. A Polícia já está nas ruas e as investigações avançam rápido. É apenas uma questão de tempo até que as viaturas cheguem a Cascavel para bater na porta dos responsáveis por dilapidar o patrimônio dos nossos trabalhadores.
Quem vai repor os R$ 885 mil tirados da previdência? Paranhos e Gruber devem explicações imediatas e contundentes à Justiça e, acima de tudo, à sociedade cascavelense.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

