2.604 votos desamparados: A rápida transição de Carlos Xavier da Câmara para o gabinete do Prefeito

O que acontece quando o compromisso feito nas ruas com os eleitores é deixado de lado para assumir um cargo no Executivo?
Qual é o verdadeiro intuito de se candidatar a vereador em Cascavel? Na teoria, a resposta é simples e nobre: representar os bairros, dar voz à comunidade, fiscalizar o Executivo e trabalhar em prol do cascavelense. Na prática, no entanto, o mandato legislativo muitas vezes parece servir apenas como um trampolim político. O caso de Carlos Xavier é o retrato mais recente dessa distorção de propósitos.
Durante o período eleitoral, a dinâmica é conhecida. O candidato vai às ruas, recebe recursos do fundo partidário, que é dinheiro público, constrói uma base de apoio e faz promessas olhando nos olhos dos moradores. Foi com esse roteiro que Carlos Xavier convenceu 2.604 cascavelenses a saírem de suas casas no dia da eleição para depositarem nele um voto de confiança. Eram 2.604 pessoas acreditando que teriam um representante fiel e combativo na Câmara Municipal pelos próximos quatro anos.
No entanto, a promessa durou pouco. Apenas um ano após assumir a cadeira que lhe foi outorgada pelo povo, Xavier decidiu que o plenário já não era o seu lugar. O vereador abriu mão de seu mandato legislativo para assumir a chefia da Casa Civil e se tornou secretário no governo do Prefeito Renato Silva.


De um lado, a urna; do outro, a nomeação. A troca levanta questionamentos inevitáveis sobre as motivações por trás da manobra. Ao deixar o legislativo para assumir uma secretaria, o político não apenas muda de endereço na praça dos Três Poderes, mas também de patamar financeiro e de influência. Na cadeira de secretário, os vencimentos são substancialmente maiores, acompanhados de benefícios como o décimo terceiro salário e a caneta forte do Executivo.
Mas e a população? E as promessas de campanha feitas nos bairros? Ao aceitar o convite para a Casa Civil, Xavier escolheu deixar sua votação de lado para trabalhar diretamente para o Prefeito, virando as costas para os mais de dois mil eleitores que o escolheram para ser vereador, e não cargo de confiança do Executivo.

É evidente que a manobra é legal e amparada pela legislação brasileira, que permite a licença do cargo para assumir secretarias. O suplente assume e a engrenagem continua girando. Contudo, a legalidade do ato não diminui o seu peso ético e moral perante o eleitorado. Quando o voto popular é tratado como uma mera moeda de troca para negociações de gabinete, a confiança nas instituições se corrói.
O eleitor que digitou o número de Carlos Xavier na urna hoje se pergunta quem de fato o representa. A escolha de abandonar a Câmara demonstra que, no xadrez político de Cascavel, o projeto de poder do Executivo falou mais alto do que o compromisso firmado nas ruas. Fica a reflexão para os próximos pleitos: como a população pode voltar a confiar em candidatos que encaram o voto não como um contrato de quatro anos com o povo, mas como um bilhete de passagem para o alto escalão da prefeitura?
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Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
