De Paladinos a Cúmplices: O naufrágio moral de Moro e Deltan no Paraná

O tabuleiro político do Paraná acaba de assistir a uma das manobras mais cínicas da história recente. O governador Ratinho Junior anunciou a desistência de disputar a presidência da República. As pesquisas apontavam o paranaense como um dos nomes mais viáveis da terceira via. Contudo, o receio de perder o feudo local falou mais alto. Quase em sincronia, o vácuo deixado pelo recuo do governador foi preenchido por um espetáculo de amnésia moral. Sergio Moro e Deltan Dallagnol, os outrora paladinos da Operação Lava Jato, decidiram abraçar Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro em uma busca desesperada por sobrevivência e poder.
O Abraço aos Antigos Inimigos
A ironia chega a ser palpável. O antigo magistrado, que condenou políticos e prometeu varrer a corrupção do país, agora se abriga no Partido Liberal. A legenda é comandada por Valdemar da Costa Neto, figura carimbada nos maiores escândalos financeiros do Brasil. Moro se alia exatamente àqueles que denunciou publicamente.


Quando deixou o Ministério da Justiça, o antigo juiz foi implacável contra o clã Bolsonaro e disparou: “Prefiro ser alvo de ataques do que ser cúmplice”. Ele também acusou diretamente o líder do Executivo de interferência na Polícia Federal. Hoje, com uma impressionante capacidade de malabarismo retórico, ele sorri no palanque e promete lealdade ao novo aliado: “O Paraná não vai faltar ao seu projeto presidencial”, declarou ele a Flávio Bolsonaro.
Deltan Dallagnol acompanha o mestre na mesma dança. O antigo procurador, que no passado classificou o enfraquecimento das investigações com a denúncia de que “o combate à corrupção foi desmantelado”, agora assina a ficha de filiação na mesma tenda partidária. A dupla que jurou limpar o pântano decidiu comprar um lote na parte mais funda dele.
Um Mandato Vazio e a Rejeição Paulista
A metamorfose de Moro expõe a fragilidade de suas convicções. Vale lembrar que o Paraná nunca foi a primeira opção do parlamentar. Antes de assumir a cadeira no Senado, ele tentou transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo. Foi rejeitado pela Justiça Eleitoral paulista e precisou voltar correndo para Curitiba.
E o que ele trouxe para o estado nesses quatro anos de mandato? Praticamente nada que altere a realidade do cidadão comum. Sua atuação se resumiu a embates midiáticos vazios e uma constante campanha eleitoral antecipada. A tribuna serviu apenas como um trampolim para sua insaciável ambição.
Terremoto Interno e a Fatura do Oportunismo
Como se o cenário já não fosse caótico o suficiente, a chegada de Moro ao Partido Liberal causou um verdadeiro terremoto interno. Após a confirmação de Moro no PL, Fernando Giacobo, que era presidente do partido, entregou a carta de saída. Além disso, uma debandada de políticos pediu para deixar a legenda. A insatisfação escancara o racha interno provocado pelo antigo juiz, que esvazia a própria trincheira antes mesmo de a batalha começar.
A aliança com os Bolsonaro e com Valdemar da Costa Neto para tentar governar o Paraná não é um mero deslize ético. É uma confissão. A moralidade da Lava Jato era um produto com prazo de validade curto, pronto para ser descartado assim que a sede de poder exigisse. Os antigos heróis da nação revelaram que a indignação contra a corrupção dependia apenas de quem assinava o cheque eleitoral. Com um diretório fraturado e um histórico de contradições, a pergunta que fica é: será que Moro no PL foi uma boa aposta?
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Editor Chefe: Evandro Nicolao
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