Blindagem com Dinheiro Público: A manobra de Paranhos para manter o contracheque e esconder o imposto de renda

Blindagem com Dinheiro Público: A manobra de Paranhos para manter o contracheque e esconder o imposto de renda
Publicado em 02/04/2026 às 21:12

O Diário Oficial desta quarta feira (1º) expôs o que, nos bastidores da política paranaense, soa como um verdadeiro escárnio com o eleitor e com a isonomia democrática. A aguardada exoneração de secretários estaduais, exigida por lei para a disputa das eleições de 2026, revelou uma dança das cadeiras sob medida para não deixar apadrinhados ao relento.

O ex prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, deixou a vitrine da Secretaria de Turismo, mas, em um passe de mágica burocrático, foi imediatamente abrigado em um cargo comissionado na Casa Civil, o coração político do Governo do Paraná.

A manobra é matemática e se aproveita da letra fria da lei. A legislação eleitoral obriga os secretários de Estado (ordenadores de despesas) a deixarem seus postos seis meses antes das eleições. No entanto, cargos comissionados sem essa prerrogativa ganham uma sobrevida, precisando se afastar apenas três meses antes do pleito, o que, neste caso, garante a ele assento e contracheque até o dia 4 de julho.

Diante desse cenário de privilégio escancarado, é imperativo colocar uma lupa sobre a situação e fazer os questionamentos que o Palácio Iguaçu tenta abafar:

  • Isso não seria profundamente injusto? Dezenas de outros atores políticos abriram mão de seus cargos, de seus salários e da máquina pública para serem candidatos em igualdade de condições. Por que, enquanto outros saem de seus postos em definitivo para encarar o eleitor, Paranhos sai de uma porta apenas para entrar pela outra?
  • Qual é o verdadeiro receio de Leonaldo Paranhos em ficar sem cargo? A necessidade desesperada de se manter atrelado à máquina estatal sugere um medo do vazio político ou, pior, a necessidade de usar o Estado como escudo.

Esse contorcionismo para se manter no poder ganha contornos ainda mais graves quando confrontado com o histórico recente do ex prefeito. Não se trata apenas de um político buscando sobrevida, se trata de uma figura pública que orbita em torno de denúncias sérias, sistematicamente ignoradas pelas instâncias de poder.

Como exaustivamente documentado e cobrado por veículos de imprensa, com destaque para as contundentes reportagens do Jornal O Paraná, Paranhos carrega uma bagagem pesada de suspeitas. As denúncias vão desde o crescimento patrimonial não esclarecido até a recusa obstinada em abrir suas declarações de imposto de renda e as de seus familiares.

Para um homem público que almeja voos mais altos em 2026, a transparência não deveria ser uma opção, mas uma obrigação. Quem não tem nada a esconder não tranca suas contas a sete chaves.

A nomeação imediata na Casa Civil não chama a atenção apenas pela imoralidade do privilégio eleitoral, mas pela mensagem que passa. Em meio a acusações de enriquecimento não justificado e falta de transparência fiscal, o governo estadual não exige respostas de seu aliado, em vez disso, oferece a ele um cargo comissionado de consolação. Resta ao eleitor paranaense a fatura dessa blindagem.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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