Ataque à imprensa: Jornalista pedirá ao MP prisão de Ratinho Pai após ameaças de morte ao vivo. Veja o vídeo e o B.O.

Apresentador usou a própria emissora para ameaçar Marcos Formighieri de morte com um taco de beisebol. Caso tomou conta do Brasil e expõe a grave violência contra comunicadores no país. Veja o vídeo e o B.O.
O Brasil assiste perplexo a um dos episódios mais grotescos de ataque à liberdade de imprensa de sua história recente. O apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho pai, utilizou os microfones de sua própria emissora para proferir ameaças de agressão e de morte contra o jornalista e empresário Marcos Formighieri, dono do jornal Gazeta do Paraná.
O caso ultrapassou as fronteiras estaduais, tomou conta de todo o país e foi destaque nacional nas páginas da revista Veja. A situação expõe a ferida aberta da violência contra profissionais da comunicação no nosso país.
O Estopim da Ameaça e o Taco de Beisebol
O motivo para a fúria do apresentador foram as críticas feitas pelo jornalista à gestão do governador do Paraná, Ratinho Junior. Inconformado com o escrutínio público sobre o filho, Ratinho pai abandonou qualquer pudor e prometeu ao vivo quebrar as pernas de Formighieri.

O apresentador detalhou com clareza que comprou um taco de beisebol especificamente para este fim. Em tom ameaçador e frio, declarou que a Justiça demora muito e que preferia resolver a questão arrancando o joelho do profissional de imprensa. Ratinho pai ainda afirmou que seria perigoso o jornalista morrer antes de um processo e por isso a agressão física seria o caminho mais rápido e eficaz na cabeça dele.
Intimidação e Pedido de Prisão
A gravidade destas palavras não pode ser minimizada. Marcos Formighieri não recuou diante da covardia. O jornalista já registrou um Boletim de Ocorrência detalhando todas as intimidações. Além disso, a sua equipe jurídica irá acionar o Ministério Público para pedir a prisão de Ratinho pai.


A medida enérgica visa garantir a integridade física da vítima e interromper o ciclo de violência instigado por uma figura com imenso poder de influência e difusão.
O Peso da Lei: Código Penal e Concessão Pública
A legislação brasileira é rigorosa e não concede impunidade aos agressores que se escondem atrás de audiência televisiva. No âmbito criminal e administrativo, as consequências são severas:
- Código Penal: O crime de ameaça está tipificado de forma clara no artigo 147. A lei estabelece a pena de detenção de um a seis meses ou multa para quem prometer causar mal injusto e grave a alguém. A gravidade da conduta eleva as possíveis penas perante o juízo quando amplificada por um veículo de comunicação de massa.
- Lei de Telecomunicações: O uso de uma concessão pública de radiodifusão para incitar a violência e promover justiçamento fere diretamente a Lei 4117 de 1962. O artigo 53 prevê expressamente que constituem abusos o emprego das emissoras para incitar o crime. As penalidades estipuladas são rígidas e a emissora pode perder a concessão em casos extremos. Uma rede de rádio e TV opera sob autorização do Estado e não pode atuar como canal para o terror.
Retrato da Violência Contra Jornalistas
Este episódio de terrorismo verbal contra Formighieri não é um caso isolado. O cenário é o retrato sombrio de um Brasil onde dezenas de jornalistas sofrem ameaças todos os anos pelo simples fato de fazerem o seu trabalho investigativo. Profissionais de comunicação são acuados diariamente por políticos e por empresários que tentam abafar denúncias por meio da intimidação criminosa e da força bruta.
A tentativa de calar Marcos Formighieri revela uma arrogância inaceitável de quem confunde poder público com uma capitania. O jornalismo livre e investigativo é um pilar sagrado da democracia. A sociedade civil e as autoridades públicas precisam agir de forma célere. Se a Justiça fechar os olhos perante o absurdo de um homem rico e poderoso brandindo um taco de beisebol em rede nacional, estará decretando o fim da liberdade de imprensa e o começo da barbárie.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
