De 19 mudanças de peso a uma sigla esvaziada: os números chocantes do troca-troca no Paraná

Fuga de partidos médios e esvaziamento do União Brasil marcam a reestruturação para as próximas eleições estaduais; 19 grandes lideranças trocaram de sigla.
A janela partidária de 2026 reconfigurou de forma profunda o mapa político do Paraná. O período de trocas, que permite a mudança de legenda sem perda de mandato, não foi apenas uma formalidade, mas um indicativo claro das estratégias para a corrida ao Palácio Iguaçu, ao Senado e à Assembleia Legislativa.

O grande saldo desse movimento revela uma polarização estrutural: lideranças abandonaram legendas médias em busca da segurança de siglas com maior tempo de TV, fundos eleitorais robustos e bases consolidadas. Nesse cenário, o Partido Liberal (PL) e o Republicanos emergem como as grandes potências eleitorais do estado, enquanto o União Brasil amarga as maiores perdas.
A Hegemonia do PL e a Ascensão do Republicanos
O PL foi, indiscutivelmente, o maior vencedor desta janela. O partido atraiu cerca de 42% de todos os nomes de destaque que mudaram de sigla, consolidando-se como o eixo central da direita paranaense. A filiação de maior impacto foi a do senador Sergio Moro, que deixou o União Brasil. A musculatura do partido também foi ampliada com a chegada de uma forte bancada estadual e federal, incluindo nomes como o Delegado Tito Barichello, Sargento Fahur e Nelsinho Padovani. A única baixa de peso confirmada foi a saída do deputado federal Fernando Giacobo.
Se o PL ganhou em volume, o Republicanos cresceu em poder de articulação. A sigla deixou o papel de coadjuvante para se tornar uma legenda de ponta. Esse salto de qualidade ocorreu graças à filiação de três “pesos-pesados” da política estadual: o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (ex-PSD), Ney Leprevost (ex-União Brasil) e Marcio Pacheco (ex-PP).
O Colapso do União Brasil e o Reajuste do PSD
No extremo oposto, o União Brasil foi a legenda mais desidratada. O partido sofreu uma verdadeira debandada, perdendo seu único senador no estado (Sergio Moro) e figuras expressivas como Ney Leprevost e Cristina Graeml , sem registrar a entrada de nenhum nome de peso equivalente para reposição.
O PSD, partido do governador Ratinho Junior, viveu um momento de reajuste estratégico. A sigla sofreu duros golpes com as saídas de Alexandre Curi e do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (que migrou para o MDB). No entanto, o partido agiu rápido para estancar a sangria e manter sua capilaridade, filiando Fernando Giacobo, Cristina Graeml e Oziel Luiz de Souza, o Batatinha.
O MDB, por sua vez, registrou um saldo numericamente neutro, mas ganhou imensa projeção majoritária ao filiar Rafael Greca, compensando a perda do deputado Batatinha.
Partidos Médios Viram Zona de Transição
Para os partidos de médio porte, a janela partidária foi sinônimo de vulnerabilidade frente ao assédio das grandes legendas.
- Progressistas (PP) e Podemos: Ambos diminuíram de tamanho. O PP ganhou Alisson Wandscheer, mas perdeu Paulo Gomes e Marcio Pacheco. O Podemos recebeu Christiane Yared, mas não conseguiu segurar Fabio Oliveira (que foi para o Partido Novo) e Denian Couto.
- Solidariedade: Manteve-se estagnado, trocando Alisson Wandscheer por Flávia Francischini.
- Novo: Conseguiu um leve crescimento estratégico com a chegada de Fabio Oliveira.
O Balanço em Números
Para entender o fluxo de poder que guiará as eleições de 2026 no estado:
- 19 políticos de alto escalão (entre senadores, deputados e ex-prefeitos) efetivaram a troca de mandato.
- 42% das migrações de destaque tiveram o PL como destino.
- 4 lideranças de peso abandonaram o União Brasil, o maior perdedor da janela.
As peças já estão no tabuleiro. Com a nova distribuição de forças, a disputa eleitoral de 2026 no Paraná promete ser uma das mais competitivas e polarizadas da história recente do estado.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
