Por que Oto da Panificadora ataca a imprensa em vez de fiscalizar os R$ 21 milhões da Rodoviária?

Por que Oto da Panificadora ataca a imprensa em vez de fiscalizar os R$ 21 milhões da Rodoviária?
Publicado em 14/04/2026 às 8:46

A semana no legislativo cascavelense começou com um recuo que, embora necessário, expõe um sintoma preocupante na forma como o debate público vem sendo conduzido na cidade. Na última segunda-feira, o vereador Oto da Panificadora (Republicanos) utilizou a tribuna da Câmara Municipal para pedir desculpas públicas ao comentarista Heroldo Secco Junior, após proferir comentários ofensivos contra o profissional da comunicação.

A justificativa do parlamentar? O excesso de “emoção” ao tentar defender a cidade. O reconhecimento de que as palavras foram inadequadas é um passo, mas a tentativa de normalizar ofensas sob o manto do “amor a Cascavel” abre um precedente perigoso e nos convida a uma reflexão urgente sobre dois pilares da democracia local: a liberdade de imprensa e o real papel de um vereador.

O alvo errado: a imprensa não é inimiga da cidade Tornou-se um hábito lamentável entre alguns agentes políticos confundir críticas à gestão com ataques ao município. A imprensa livre, incisiva e questionadora não torce contra Cascavel; ela trabalha para que a cidade não seja lesada. Quando um vereador ataca um comentarista ou jornalista porque este aponta falhas na administração, ele não está defendendo a cidade, está blindando o poder. A tentativa de desqualificar quem noticia é, historicamente, a principal arma de quem não tem argumentos técnicos para rebater os fatos.

O que faz um vereador? Isso nos leva à questão central: qual é a função de um vereador? O parlamentar municipal não é eleito com dinheiro público para ser claque do Poder Executivo, chefe de torcida de prefeito ou advogado de defesa de secretarias. Sua função constitucional primordial, ao lado de legislar, é fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.

Se o nobre vereador Oto da Panificadora quisesse, de fato, canalizar sua “emoção” e defender Cascavel com o vigor que demonstrou nos ataques, sua indignação deveria ter um endereço claro e georreferenciado: a Rodoviária de Cascavel.

R$ 42 mil para inaugurar o inacabado Enquanto sobram discursos inflamados na tribuna, faltam respostas sobre a realidade de concreto e asfalto. A população assiste perplexa a uma rodoviária que consumiu R$ 21 milhões dos cofres públicos em uma obra que, pelas imagens e pelo uso diário, tem contornos nítidos de maquiagem. Pior: o contribuinte ainda teve que arcar com absurdos R$ 42.000,00 gastos apenas para a festa de “inauguração” de um espaço cujas obras sequer estão concluídas.

A pergunta que ecoa fora do ar-condicionado da Câmara é: inaugurar o quê, exatamente?

Onde estão os dados? Durante o mesmo discurso, o vereador afirmou categoricamente que o atual prefeito, Renato Silva, foi o gestor que “mais trouxe investimentos a Cascavel”. A retórica de palanque é sempre bonita, mas o jornalismo e a população exigem fatos. Cadê os dados? Onde estão os números, as planilhas financeiras e, principalmente, as obras concretizadas que sustentam essa afirmação?

Discursar sobre obras que ainda repousam em projetos ou que não saíram do papel é a parte fácil da política. O difícil é mostrar a obra pronta, sem aditivos milionários, sem atrasos e sem inaugurações fantasias.

O vereador Oto da Panificadora conquistou sua cadeira no legislativo com a confiança de 956 eleitores. Honrar cada um desses 956 votos exige muito mais do que pedir desculpas por destemperos verbais. Exige não atacar quem questiona e, sobretudo, não lançar dados ao vento sem a devida comprovação.

Defender a cidade é cobrar a conclusão da rodoviária. Defender a cidade é questionar os R$ 42 mil da festa de inauguração. O resto é apenas emoção mal direcionada.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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