Engolido Pela Velha Política: O Fim do Sonho de Guto Silva

Engolido Pela Velha Política: O Fim do Sonho de Guto Silva
Publicado em 15/04/2026 às 8:00

Após entregar a secretaria focado na sucessão estadual, o antigo braço direito do governo é rifado sem cerimônias. A apunhalada veio de onde menos se esperava.

Na política paranaense, a lealdade costuma ter prazo de validade. O roteiro de abril de 2026 entra para a história recente do Estado como um dos episódios mais frios de descarte político. O protagonista do sacrifício? Guto Silva.

Até o início deste mês, o caminho parecia desenhado. Guto se descompatibilizou no dia 4 de abril da Secretaria Estadual das Cidades com a bênção governamental para rodar o Paraná e pavimentar o seu projeto rumo ao Governo do Estado. Ele carregava o carimbo que a atual gestão tanto gosta de vender: um rosto novo, extremamente técnico e, acima de tudo, religiosamente fiel ao governador.

Mas a política tradicional não perdoa os ingênuos, e poucos dias depois, a lâmina entrou. E apunhalado por quem? Pelo próprio Palácio Iguaçu.

Num movimento de bastidor que atropelou as lideranças do interior, especialmente as do Oeste e Sudoeste, base histórica de Guto, o governador Ratinho Junior escolheu Sandro Alex (PSD), antigo secretário de Infraestrutura e cacique presidente do partido, como o candidato oficial do grupo à sucessão estadual.

O Histórico do Soldado Perfeito

A manobra foi cruel e Guto Silva foi rifado de uma forma muito terrível. Doutor em Gestão de Negócios e deputado estadual em mandatos anteriores, ele sempre atuou como o soldado perfeito da gestão. Assumiu a espinhosa Casa Civil em 2019 para desarmar bombas no Legislativo e blindar o governador em seu primeiro mandato. Depois, assumiu a Secretaria das Cidades com a missão de destravar e acelerar obras nos municípios para construir a vitrine política da gestão.

Trabalhou duro, nos bastidores e na linha de frente. Representou um perfil inovador, focado em entregas e indicadores, e abdicou de projetos pessoais em prol do grupo. Entregou tudo o que lhe foi pedido, agindo sempre como o verdadeiro homem de confiança do governador.

A Anatomia da Traição

No fim, a fidelidade canina de Guto esbarrou nos acordos palacianos e na força bruta do xadrez partidário. Em vez de premiar a lealdade técnica, Ratinho preferiu entregar a chave do cofre eleitoral nas mãos de Sandro Alex, limando Guto para acomodar as pressões da velha política e garantir a sobrevivência de um núcleo restrito na capital.

Guto entregou sua cadeira de secretário, abriu mão do controle da máquina pública que administrava com excelência e foi deixado no relento. A apunhalada não foi dada por um adversário da oposição, mas por aqueles cujas costas ele passou os últimos anos protegendo.

O Que Sobrou?

A grande pergunta que ecoa agora nos corredores da Assembleia e entre os prefeitos do interior é inescapável: o que sobrou para Guto Silva?

Sacrificado no altar das conveniências de 2026, ele vira o retrato do gestor que acreditou que o trabalho sério e a lealdade cega seriam suficientes. Não foram. O Paraná assiste a mais um capítulo onde a máquina mastiga e cospe suas próprias apostas. Guto Silva ficou sem a caneta, sem a candidatura prometida e com uma marca nas costas que o Palácio Iguaçu terá muita dificuldade em justificar para o eleitorado.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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