Mais de 20 Mil Reais na Conta: Ex-Vereador Vanderlei do Conselho Ignora a Dedicação Exclusiva e Acumula Dois Salários no Município e Estado

Enquanto a imensa maioria dos cascavelenses acorda de madrugada, enfrenta ônibus lotados diariamente e trabalha arduamente ganhando pouco para garantir o sustento no fim do mês, uma realidade paralela sangra os cofres públicos. Cidadãos que vivem vidas sofridas não merecem que um ex vereador e assistente social tenha dois salários às custas de irregularidades. A indignação na cidade ganha rosto com a grave denúncia envolvendo Vanderlei Augusto da Silva, também conhecido como Vanderlei do Conselho.
Antigo representante na Câmara Municipal de Cascavel durante a décima quinta legislatura, compreendida entre 2013 e 2016, Vanderlei hoje acumula dois cargos públicos concursados: um vinculado ao município de Cascavel e outro ao Governo do Estado do Paraná.


O grande problema reside nas regras atreladas à sua função municipal. O cargo na Prefeitura de Cascavel possui regime de dedicação exclusiva e conta com gratificação financeira justamente por esse motivo. A legislação é bastante rigorosa: um servidor público sob dedicação exclusiva é terminantemente proibido de exercer qualquer outra atividade remunerada, pública ou privada, incluindo a aprovação e atuação em um novo concurso.
O Artigo 37 da Constituição Federal proíbe o acúmulo remunerado de cargos. As raras exceções permitidas pela lei dizem respeito a atividades de magistério ou profissionais de saúde, e apenas se houver compatibilidade de horários. A dedicação exclusiva exige que o profissional concentre todo o seu tempo de trabalho e foco à instituição de origem. Mesmo que houvesse compatibilidade de horários, o regime de exclusividade visa evitar conflito de interesses com a função principal, o que invalida qualquer acúmulo.
A Matemática da Irregularidade
Mensalmente, dois salários vultosos caem no bolso de Vanderlei do Conselho. Pelo município de Cascavel, a remuneração é de R$ 12.685,88. Pelo Governo do Estado do Paraná, ele recebe R$ 8.061,66. Somados, os valores chegam ao impressionante montante de R$ 20.747,54 por mês. Um rendimento que o afasta completamente da dura realidade vivenciada pela população comum.
O Peso da Lei e a Jurisprudência
O acúmulo indevido de cargos públicos sob exclusividade resulta na instauração de um Processo Administrativo Disciplinar, que carrega o risco iminente de demissão do servidor. A justiça brasileira possui inúmeros casos já julgados e condenados de pessoas que tentaram burlar essa regra.
Diversos servidores públicos flagrados acumulando funções de dedicação exclusiva com outros cargos estaduais ou municipais foram sentenciados por improbidade administrativa. Nesses julgamentos, os magistrados e os Tribunais de Contas determinam não apenas a perda das funções públicas, mas a devolução integral de todos os valores recebidos indevidamente. O entendimento jurídico consolida que receber gratificação por exclusividade enquanto se exerce outra atividade configura enriquecimento ilícito.
Respostas Vazias e Dinheiro no Bolso
A reportagem entrou em contato com Vanderlei do Conselho no final do ano de 2025 para questionar a irregularidade. Sem atitudes concretas, retornamos as mensagens em fevereiro de 2026. Em conversas por aplicativo no mês de fevereiro, o ex vereador disse que a Secretaria de Educação, Gislaine, iria assumir o cargo e resolver o assunto.

Contudo, até o presente momento, como foi citado, nada foi feito de forma efetiva. A promessa não se concretizou e o dinheiro continua caindo sistematicamente em seu bolso.
A população de Cascavel exige respostas e providências imediatas dos órgãos competentes. O suor do trabalhador não deve financiar privilégios escandalosos. A instauração de investigações rigorosas é uma medida urgente para preservar a moralidade pública e respeitar aqueles que constroem a cidade com seu trabalho honesto.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
