Veja o vídeo: Copel lucra e Cascavel sofre. Cidadão sem luz até quando? Quem vai pagar os prejuízos? Confira seus direitos.

Veja o vídeo: Copel lucra e Cascavel sofre. Cidadão sem luz até quando? Quem vai pagar os prejuízos? Confira seus direitos.
Publicado em 12/05/2026 às 10:28

Apagões constantes no oeste do Paraná destroem equipamentos e geram revolta. Comerciantes cobram ação enérgica dos vereadores e acionam a Justiça.


O apagão e o prejuízo no Restaurante Texas

O relato revoltante de um empresário de Sede Alvorada, distrito de Cascavel, ilustra a dura realidade de quem tenta empreender e gerar empregos no oeste do Paraná hoje. O Restaurante Texas estava com suas reservas esgotadas neste fim de semana, com mais de 70 clientes no salão, quando as luzes simplesmente apagaram.

A falta de energia elétrica não gerou apenas um vexame imenso para o estabelecimento, mas provocou danos financeiros pesados. Equipamentos caros, como uma geladeira industrial e um freezer de bebidas, queimaram devido às sucessivas quedas de tensão. O desastre atual se soma a episódios anteriores nos quais equipamentos de som e diversos alimentos já foram perdidos.

A indignação do comerciante ecoa o sentimento de toda uma comunidade de trabalhadores honestos que pagam seus impostos rigorosamente em dia. A conta de luz chega sem atraso e o corte por inadimplência ocorre de forma implacável, mas quem vai pagar a conta pela destruição do patrimônio de quem trabalha arduamente?

Privatização, lucros na bolsa e serviço em declínio

A resposta para o declínio vertiginoso na qualidade do serviço parece estar nos números recentes da companhia. Em agosto de 2023, a Copel concluiu seu processo de privatização em uma megaoperação na bolsa de valores que movimentou cerca de R$ 5,2 bilhões. O Governo do Estado reduziu drasticamente sua participação acionária, entregando o controle absoluto da histórica estatal paranaense para o mercado financeiro corporativo.

A promessa oficial, repetida à exaustão, era de melhoria no atendimento e mais investimentos estruturais. No entanto, enquanto os investidores colhem dividendos gordos e celebram balanços financeiros positivos, os moradores de Sede Alvorada, de Cascavel e de todo o oeste do Paraná colecionam eletrodomésticos carbonizados e finais de semana arruinados pela escuridão.

Direitos do consumidor e como buscar ressarcimento

Os cidadãos e donos de comércios não estão desprotegidos e precisam reagir com o peso da lei. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece de forma categórica em seu Artigo 14 a responsabilidade objetiva das prestadoras de serviço. Isso significa que a concessionária deve arcar com a reparação dos danos independentemente da comprovação de culpa.

Além disso, o Artigo 22 do mesmo código reforça que as empresas de serviços públicos essenciais têm a obrigação intransferível de fornecer um atendimento adequado, eficiente, seguro e contínuo. Somado a isso, as normas vigentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) garantem o ressarcimento específico por equipamentos elétricos queimados.

O caminho imediato para o cidadão é protocolar uma reclamação formal no Procon, ligando para o número 151, reunindo notas fiscais, fotos dos equipamentos danificados e os protocolos de atendimento não resolvidos. O proprietário do Restaurante Texas já confirmou que vai acionar a Justiça para cobrar a devida reparação por todos os danos materiais e morais sofridos.

Cobrança direta à classe política de Cascavel

Diante desse cenário de completo abandono e descaso, a postura da classe política de Cascavel beira a cumplicidade. A população local exige muito mais do que discursos vazios em tribuna. Não basta de forma alguma que os vereadores emitam uma simples moção de repúdio apenas para agradar eleitores e gerar material para as redes sociais. Uma moção de repúdio não compra uma geladeira industrial nova, não devolve a carne estragada no freezer e não apaga a vergonha de um restaurante cheio no escuro.

O legislativo municipal precisa exercer seu real poder de cobrança de maneira enérgica. É necessário convocar imediatamente os diretores regionais da empresa para dar explicações públicas e documentadas, acionar o Ministério Público e buscar medidas jurídicas concretas e punitivas que protejam a economia local. O povo de Sede Alvorada cansou de pagar a conta da ineficiência com o suor do próprio trabalho. A transparência e a justiça precisam sair do papel e se tornarem realidade na proteção de quem faz a cidade e o oeste do Paraná crescerem.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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