Pai que chutou o rosto da filha de 3 anos é indiciado por tortura em Francisco Beltrão

Pai que chutou o rosto da filha de 3 anos é indiciado por tortura em Francisco Beltrão
Publicado em 13/07/2026 às 13:24

Além do chute flagrado por câmera de segurança, investigação revelou rotina de punições cruéis contra crianças de 3 e 5 anos

Chegou ao fim a primeira etapa da investigação sobre o caso que chocou Francisco Beltrão no início do mês. A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito e indiciou o pai das duas crianças pelos crimes de tortura e de lesão corporal no âmbito de violência doméstica. Ele segue detido preventivamente e, segundo o levantamento policial, não possuía passagens anteriores no estado.

Tudo veio à tona no dia 5 de julho, quando um equipamento de videomonitoramento captou uma cena de extrema violência em via pública. O registro mostra o homem carregando sacolas de supermercado ao lado do menino de 5 anos e da menina de 3. De repente, ele se volta para a filha e a atinge com um chute no rosto, derrubando-a. Uma pessoa que passava pelo local presenciou tudo e tentou intervir.

Com a repercussão das imagens, o pai se apresentou espontaneamente à delegacia. Aos policiais, admitiu a agressão e a justificou dizendo que a menina chorava e gritava — embora tenha alegado não recordar de todos os detalhes do episódio.

Violência era rotina, aponta inquérito

O trabalho dos investigadores, porém, revelou que o chute não foi um fato isolado. De acordo com o delegado Ricardo Moraes, três dias antes, em 2 de julho, o filho mais velho havia sido golpeado no rosto com um objeto de madeira. Os ferimentos foram registrados em fotografias, agora submetidas a exame pericial.

Os agentes também descobriram um padrão de punições degradantes dentro de casa: as duas crianças eram forçadas a ficar ajoelhadas sobre grãos de milho e feijão e sobre tampas de garrafa. Foi justamente o sofrimento físico e emocional imposto por esses castigos que fundamentou o indiciamento por tortura.

Para embasar as conclusões, a polícia reuniu um conjunto amplo de provas: a gravação da câmera de segurança, relatos de testemunhas, laudos psicológicos das vítimas e dados fornecidos pela rede de proteção à infância.

Enquanto o caso segue para a Justiça, as crianças, a mãe e outros parentes estão amparados por medidas protetivas concedidas judicialmente.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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