O prêmio pela negligência na CPI: Servidoras ganham aposentadoria e homenagens. Responsabilização? Nenhuma

O prêmio pela negligência na CPI: Servidoras ganham aposentadoria e homenagens. Responsabilização? Nenhuma
Publicado em 12/05/2026 às 18:32

O que deveria ser um acerto de contas com a justiça virou uma festa com direito a homenagens e sorrisos. Recentemente, circulou nas redes sociais uma imagem de gratidão às servidoras Fran Carvalho Rojo e Rosane Aparecida Brandalise Correa. O motivo? Uma homenagem especial pela aposentadoria e pelos serviços prestados. Mas para as famílias que aguardavam por justiça após uma CPI pesada, essa cena parece mais um deboche do que um ato de gentileza.

O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito foi muito claro. Francisca de Carvalho Rojo, que era Diretora na SEMED, foi citada por negligência grave. O documento aponta que ela falhou em sua obrigação de garantir que pessoas perigosas fossem mantidas longe das crianças nas escolas municipais. Já Rosane Brandalise, em vez de ser afastada para averiguação, seguiu recebendo cargos de confiança e agora o prêmio de aposentadoria.

Onde está a responsabilidade?

O sentimento da população é de um verdadeiro “faz de conta”. De um lado, uma investigação que provou falhas na proteção dos nossos alunos. Do outro, uma prefeitura que ignora o relatório e trata as citadas como heroínas. O Prefeito Renato Silva, até agora, não deu andamento efetivo aos Processos Administrativos Disciplinares (PAD). O silêncio dele é uma resposta dolorosa para os pais que esperavam uma atitude firme.

Para piorar a situação, quem deveria fiscalizar e cobrar o prefeito também estava na festa. O Presidente da Câmara, Tiago Almeida, que tem o dever de ser a voz do povo e exigir punições, aparece junto com o grupo político, celebrando como se nada tivesse acontecido. Quando os políticos se unem para proteger seus aliados, quem fica desprotegida é a sociedade.

As cicatrizes que não fecham

Enquanto o governo municipal distribui flores e cargos, as vítimas reais dessa negligência vivem um pesadelo diário. Uma criança que tem sua inocência roubada ou que passa por situações de perigo dentro da escola não esquece o que viveu com uma simples nota oficial.

Os traumas causados pela falta de cuidado da gestão pública podem durar a vida inteira. São dificuldades de aprendizado, medo de ir à escola e cicatrizes psicológicas que nenhuma homenagem pomposa pode apagar. É inaceitável que o poder público trate com tanta leveza um assunto tão grave.

A pergunta que fica para os moradores e para os pais é simples: até quando a política de amizades será maior do que o dever de proteger a infância? O que vimos até agora foi a institucionalização da impunidade, onde quem falha ganha promoção e quem sofre o trauma é esquecido pelo sistema.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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