Aumento salarial para R$ 22 mil, criação do 13º e salto para 23 vereadores: o abismo entre a realidade de quem anda em ônibus lotado e os vereadores de Cascavel.

Aumento salarial para R$ 22 mil, criação do 13º e salto para 23 vereadores: o abismo entre a realidade de quem anda em ônibus lotado e os vereadores de Cascavel.
Publicado em 22/05/2026 às 11:55

A conta chegou e, mais uma vez, quem paga é o trabalhador. Como se já não bastasse o recente e doloroso golpe no bolso do cascavelense com o aumento do IPTU, os bastidores da Câmara Municipal de Cascavel revelam que a prioridade de parte do Legislativo está longe de ser o alívio financeiro da população. Na contramão do “perrengue diário” vivido por quem acorda cedo, bate ponto e enfrenta o transporte público lotado, vereadores articulam a aprovação de um verdadeiro pacote de benesses para a próxima legislatura, que beneficiará os eleitos a partir de 2028.

A Matemática da Desigualdade

Os números expõem um retrato revoltante do abismo que separa o representante do representado. De acordo com os indicadores de mercado, a média salarial do cidadão cascavelense acompanha o padrão geral do estado do Paraná, girando em torno de 2,4 salários mínimos, o equivalente a R$ 3.890,40.

É com esse valor, suado e defasado pelo custo de vida, que a maioria das famílias precisa fazer malabarismo para pagar alimentação, moradia e, claro, os impostos cada vez mais altos cobrados pelo município. No entanto, para os ocupantes do Legislativo local, a régua é outra.

O debate interno na Câmara aponta para uma articulação pesada que visa aprovar três medidas polêmicas:

  • Salário Turbinado: O subsídio, que hoje é de R$ 16 mil brutos (R$ 11 mil líquidos), valor que já havia sofrido veto do Tribunal de Contas para repasse inflacionário, deverá saltar para a casa dos R$ 22 mil. Isso significa que um único vereador ganhará em apenas um mês o que o trabalhador médio de Cascavel leva quase seis meses para conquistar.
  • Mais Cadeiras: A proposta visa inflar a máquina pública, aumentando o número de assentos na Casa para 23 vereadores.
  • O 13º Salário: Como se não bastasse o aumento mensal, a medida também garante a introdução do cobiçado décimo terceiro salário para os parlamentares.

Articulação de Bastidores e Nomes Envolvidos

Contrariedades populares à parte, a manobra já está sendo costurada. Conforme exposto nos corredores e na imprensa local, quem vencer a próxima eleição para a presidência do Legislativo já terá o compromisso “fechado” de encaminhar essas propostas impopulares. Nomes como os do licenciado Carlos Xavier, Edson Souza, João Diego e Tiago Almeida (caso não vire deputado) são apontados como os possíveis candidatos à cadeira de presidente.

Matéria Jornal Preto no Branco/Coluna Miguel Dias

A Política Desconectada das Ruas

Para uma cidade pujante como Cascavel, que hoje já ultrapassa a marca de 368 mil habitantes e se firma como o motor econômico da região Oeste, o progresso deveria significar infraestrutura adequada, transporte público com dignidade e respeito absoluto ao dinheiro do contribuinte.

Quando os representantes do povo utilizam o poder das urnas para legislar em causa própria, aprovando aumentos na carga tributária da população (como o IPTU) ao mesmo tempo em que inflam os próprios contracheques, fica a pergunta inevitável: a quem serve a política local?

Enquanto a população continua dividindo espaço no ônibus lotado e cortando gastos no supermercado, a Câmara Municipal prepara o terreno para garantir uma vida de conforto legislativo. O pacote está pronto. Resta saber se o cascavelense vai aceitar pagar essa fatura em silêncio.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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