Farra das Diárias: Prefeitura e Câmara de Sulina gastam R$ 604.663,70 em viagens em um ano e meio; veja quem lidera o Ranking e o prejuízo para a cidade

Farra das Diárias: Prefeitura e Câmara de Sulina gastam R$ 604.663,70 em viagens em um ano e meio; veja quem lidera o Ranking e o prejuízo para a cidade
Publicado em 25/06/2026 às 12:58

Por que uma cidade de 3.500 habitantes gasta como metrópole quando o assunto é viagem oficial? O silêncio da gestão Gilberto Rossi e a conta que a população paga.

Sulina, no sudoeste do Paraná, é uma daquelas cidades pacatas onde todos se conhecem e a vida corre em um ritmo mais tranquilo. Com pouco mais de 3.500 habitantes, a arrecadação do município exige por natureza uma gestão austera e focada no essencial. No entanto, os números que saem do gabinete do Prefeito Gilberto João Rossi e do Poder Legislativo contam uma história bem diferente. Em apenas um ano e meio, a administração municipal e a Câmara de Vereadores consumiram juntas o valor astronômico de R$ 604.663,70 em diárias e viagens.

A indignação que toma conta de parte da população não é infundada. Para um município desse porte, ultrapassar a barreira de meio milhão de reais apenas para custear viagens de agentes públicos é um ponto fora da curva que exige, no mínimo, uma explicação detalhada.

A Desproporção: Sulina na Contramão do Brasil

Para entender o tamanho do absurdo, basta olhar para os lados. Enquanto municípios brasileiros de porte semelhante costumam manter seus gastos com diárias na faixa de R$ 50 mil a R$ 150 mil anuais, focando apenas em viagens estritamente necessárias, Sulina ostenta números de cidade grande. Na prática, o município está gastando em viagens o equivalente ao que cidades com 20 vezes a sua população gastam. A conta simplesmente não fecha.

O Raio X dos Gastos: Prefeitura e Câmara

O levantamento detalhado mostra que a prefeitura é a grande responsável por descarregar o cofre público, mas a Câmara Municipal também tem sua parcela de contribuição nessa conta milionária.

Resumo Geral de Gastos Acumulados (2025 e 2026)

  • Prefeitura Municipal: R$ 366.523,55 em 2025 e R$ 189.599,95 em 2026. Total de R$ 556.123,50
  • Câmara de Vereadores: R$ 22.294,18 em 2025 e R$ 26.246,02 em 2026. Total de R$ 48.540,20
  • Soma Total do Município: R$ 604.663,70

O Ranking da Farra: Quem São os Maiores Beneficiários

Os números se tornam ainda mais alarmantes quando olhamos para quem está recebendo esse dinheiro. Apenas dois servidores da prefeitura concentram mais de 300 mil reais em diárias no período. Abaixo está o ranking detalhado dos 10 maiores recebedores de recursos públicos para viagens, somando os valores pagos em 2025 e 2026.

1. Nori Martins (Prefeitura) Total recebido: R$ 183.864,88 (R$ 122.011,51 em 2025 e R$ 61.853,37 em 2026)

2. Milton Schmidt (Prefeitura) Total recebido: R$ 134.072,86 (R$ 97.304,06 em 2025 e R$ 36.768,80 em 2026)

3. Gilberto João Rossi (Prefeito) Total recebido: R$ 44.700,00 (R$ 25.500,00 em 2025 e R$ 19.200,00 em 2026)

4. Fenicios Tur / Agência de Viagens (Prefeitura e Câmara) Total recebido: R$ 27.329,84 (R$ 4.725,32 em 2025 e R$ 22.604,52 em 2026)

5. Clecilde Fabiane (Prefeitura) Total recebido: R$ 21.340,00 (R$ 12.430,00 em 2025 e R$ 8.910,00 em 2026)

6. Cleiton Chiocheta (Câmara) Total recebido: R$ 10.575,00 (R$ 2.925,00 em 2025 e R$ 7.650,00 em 2026)

7. Ronan Ernzen (Prefeitura) Total recebido: R$ 10.260,00 (R$ 8.640,00 em 2025 e R$ 1.620,00 em 2026)

8. Marinete A. Chioquetta (Prefeitura) Total recebido: R$ 9.120,00 (R$ 6.240,00 em 2025 e R$ 2.880,00 em 2026)

9. Waltercir Ernzen (Prefeitura) Total recebido: R$ 8.100,00 (R$ 6.750,00 em 2025 e R$ 1.350,00 em 2026)

10. Ariel Junior Lorini (Câmara) Total recebido: R$ 5.625,00 (R$ 2.025,00 em 2025 e R$ 3.600,00 em 2026)

O Que Esse Dinheiro Compraria?

O cidadão sulinense tem todo o direito de se perguntar onde esse dinheiro faria mais falta. Com mais de R$ 600 mil, a cidade poderia ter investido em projetos reais para a população.

  • Habitação: Construção de pelo menos seis a oito casas populares para famílias em situação de vulnerabilidade.
  • Saúde: Compra de veículos novos para o transporte de pacientes ou o custeio de centenas de exames, zerando filas de espera.
  • Infraestrutura: Pavimentação de ruas, melhoria nas estradas rurais essenciais para a safra ou revitalização de espaços públicos.

Onde Está o Retorno para a População?

A justificativa padrão de qualquer gestão para viagens oficiais é a busca por recursos e emendas parlamentares. Viagens políticas fazem parte do jogo administrativo. No entanto, o volume das despesas exige uma prestação de contas compatível.

A pergunta central que a gestão Gilberto Rossi precisa responder publicamente é: quais foram os convênios, obras e emendas efetivamente trazidos na bagagem dessas viagens que justifiquem um investimento de mais de meio milhão de reais? Se o retorno financeiro em obras não for esmagadoramente superior ao valor gasto nas diárias, as viagens deixam de ser um investimento administrativo e passam a ser turismo com dinheiro público.

Quem Fiscaliza Essa Conta?

A farra das diárias não acontece no vácuo. Ela passa por processos burocráticos que deveriam ser rigorosamente auditados.

  • A Câmara Municipal de Vereadores: Os vereadores são os primeiros fiscais do povo. Cabe a eles exigir relatórios detalhados de cada viagem, mas os dados mostram que o próprio legislativo também consome parte dessa verba.
  • O Tribunal de Contas do Estado do Paraná: O órgão monitora os gastos dos municípios. Valores desproporcionais acendem alertas e podem resultar em reprovação de contas e multas.
  • O Ministério Público do Paraná: Havendo suspeita de que diárias foram pagas sem finalidade pública justificada ou em excesso, o MP pode abrir inquérito civil para investigar improbidade administrativa e exigir a devolução dos valores aos cofres da cidade.

A Gestão Precisa se Explicar

A transparência pública não é um favor que o prefeito faz ao cidadão. É uma obrigação. Não basta que as diárias estejam publicadas no portal da transparência para cumprir tabela; é preciso que haja moralidade no trato com o dinheiro de quem paga impostos.

Enquanto casas deixam de ser construídas e melhorias na cidade ficam no papel, a administração de Sulina deve à sua população uma explicação clara. O dinheiro público não pode ser passaporte para viagens sem volta em benefícios reais para a comunidade.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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