A cadeira de Prefeito não é brinquedo e Henrique Mecabô precisa aprender o peso do trabalho

A cadeira de Prefeito não é brinquedo e Henrique Mecabô precisa aprender o peso do trabalho
Publicado em 16/02/2026 às 21:07

Cascavel é terra de gente que acorda antes do sol. É a capital do Oeste, erguida sobre o calo da mão de quem planta, colhe e constrói. É uma cidade que exige seriedade porque foi forjada no trabalho bruto e na inteligência prática. Por isso, a cena que se desenha no paço municipal soa não apenas como um escárnio, mas como uma profunda desconexão com a realidade. O que faz um homem público quando assume o comando? A resposta deveria ser trabalhar. Mas em Cascavel o trabalho virou cenário e a gestão pública foi reduzida a um palco para vídeos de rede social.

Henrique Mecabô carrega no papel um peso que não demonstra na prática. O currículo é de fazer inveja a qualquer acadêmico: economia e finanças em McGill, mestrado em Toronto, passagens pela ONU e consultorias nos Estados Unidos. Uma trajetória que brilha em tinta preta sobre papel branco, gritando competência técnica e visão global. Mas de que serve a teoria econômica de ponta se ela nunca desce do pedestal para tocar o asfalto quente da Avenida Brasil? De que adianta ter representado a juventude global se, ao assumir a responsabilidade local, a postura é de um influenciador digital deslumbrado com a própria imagem?

A cidade assistiu atônita a uma semana que mais pareceu um reality show de baixo orçamento. O Show Rural, maior vitrine do agronegócio da América Latina, é lugar de negócios, de suor e de parcerias estratégicas. Para o prefeito em exercício, contudo, o evento serviu de pano de fundo para um book fotográfico. Enquanto o produtor rural discutia safra e tecnologia, a autoridade máxima do município preocupava se com o ângulo da câmera e a estampa da camiseta, algumas inclusive carregando mensagens que ferem quem realmente carrega o piano desta nação.

Dói na alma do cascavelense ver tamanha imaturidade. Existe um abismo intransponível entre ter um emprego na empresa do pai e saber o que é trabalho. Trabalho é o que acontece quando as câmeras desligam. É a reunião chata, a planilha complexa, a decisão impopular, o silêncio da responsabilidade. Quem vive a vida brincando de governar, quem transforma a prefeitura em estúdio de criação de conteúdo, talvez nunca tenha sentido o peso real de uma carteira de trabalho assinada por necessidade de sobrevivência.

Cascavel não precisa de um garoto propaganda de si mesmo. A cidade clama por alguém que use essa vasta experiência internacional para atrair investimentos, para melhorar a educação, para sanar as dores da saúde pública. Mas o que se viu foi um desperdício de potencial. O conhecimento adquirido no Canadá e nos Estados Unidos parece ter ficado na alfândega. Para cá, voltou apenas a vaidade.

Confiar o destino de uma metrópole regional a quem parece não saber a diferença entre gestão pública e engajamento virtual é um risco que a cidade não merecia correr. O currículo diz que ele está preparado para o mundo. As atitudes mostram que ele talvez não esteja preparado nem para a seriedade que Cascavel exige. A cadeira de prefeito é pesada demais para quem vive flutuando na leveza insuportável das redes sociais.

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Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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