Investigado por crimes contra crianças no Paraná, “Homem do Chapéu” havia repassado R$ 5 mil a associação de amparo à infância

Prefeitura de Céu Azul (PR) apagou fotos da cerimônia das redes sociais após a prisão preventiva de Fernando Antonio Dorne. Professora suspeita de produzir as imagens dentro de creche municipal também está presa.
A prisão do empresário e ex-apresentador Fernando Antonio Dorne, de 54 anos, trouxe à tona um episódio contraditório ocorrido cerca de um ano antes: a entrega de R$ 5 mil à Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI) de Céu Azul, no Oeste paranaense. A entidade sem fins lucrativos é dedicada justamente ao amparo de crianças e grupos vulneráveis.
O valor, no entanto, não pertencia a Dorne. Ele atuou apenas como representante de um programa de sorteios de prêmios para o qual trabalhava, cabendo a ele formalizar o repasse.
A cerimônia ocorreu em 14 de agosto de 2025, com a presença de autoridades municipais e integrantes da associação, incluindo a entrega de um cheque simbólico. O evento chegou a ser noticiado nas redes sociais da Prefeitura de Céu Azul, mas, após a prisão preventiva do empresário se tornar pública, a postagem foi retirada do ar.
Como funcionava o esquema
Conhecido na região como “Homem do Chapéu”, Dorne é suspeito de produzir e disseminar imagens de nudez infantil. A apuração da Polícia Civil aponta que ele recebia o material de uma companheira amorosa: uma professora de 52 anos, lotada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Céu Azul.
Segundo a polícia, a servidora fotografava as partes íntimas de bebês enquanto trocava suas fraldas durante o expediente. Os investigadores afirmam que os registros eram feitos a pedido do empresário. A identidade da professora foi preservada para evitar a exposição das famílias das vítimas.
O caso começou a ser desvendado em Cascavel (PR), após denúncias de abuso sexual envolvendo o empresário chegarem à Delegacia da Mulher. A partir dessas informações, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na residência dele, em Céu Azul, e em sua empresa, em Cascavel.
Andamento da investigação
A delegada Jéssica Farias explicou que a análise preliminar do material apreendido com o empresário revelou indícios de crimes também em Céu Azul, resultando em um novo mandado, desta vez contra a professora. Com as provas reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva de ambos.
- Perícia: Os celulares apreendidos passarão por análise da agência de inteligência da Polícia Civil para confirmar a existência de mais imagens e detalhar o contexto das produções.
- Vítimas: Até o momento, três crianças foram identificadas.
- Abuso físico: A Polícia Civil não descarta a hipótese de que as crianças tenham sofrido também abusos físicos. O processo corre sob sigilo.
O que dizem os citados
Prefeitura de Céu Azul Em nota oficial, a administração municipal declarou que acompanha o caso com atenção e o descreve como um fato “inédito na história da rede municipal de ensino”, gerando profunda consternação.
“O município adotará as medidas administrativas cabíveis conforme for oficialmente informado pelos órgãos responsáveis. Reafirmamos o compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, ressalvando o respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e à preservação da identidade das possíveis vítimas.”
Defesa do Empresário A defesa de Fernando Antonio Dorne, representada pelo advogado Ruan Cavalaro Belini, nega todas as acusações. Em manifestação, o advogado afirmou ter sido pego de surpresa pela prisão e pela investigação.
Segundo a defesa, a decisão judicial se baseia essencialmente no relato de uma única pessoa, sem elementos materiais concretos. O advogado alega que Dorne seria vítima de um “conluio articulado por cinco pessoas” e garante que as provas de inocência serão apresentadas nos autos. Belini também criticou os julgamentos antecipados e a exposição da imagem de seu cliente, ressaltando que aguarda a revogação da prisão preventiva com a maior brevidade possível.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
