“Não tenho mais combustível para ficar esperando”, afirma piloto após falha em balizamento no Aeroporto de Cascavel

Falha no balizamento obrigou avião a arremeter e desviar rota por nível de combustível; oposição entre propaganda política e realidade operacional gera indignação.
A noite desta terça-feira (2) revelou o abismo existente entre o marketing político e a dura realidade da infraestrutura aeroportuária no Paraná. Uma falha grave no sistema de balizamento da pista do Aeroporto Regional de Cascavel não apenas causou atrasos, mas colocou vidas em risco e evocou fantasmas de problemas operacionais e administrativos crônicos. O incidente ocorreu logo após uma manhã caótica, já marcada por atrasos decorrentes de uma instabilidade no controle aéreo em São Paulo.
No início da noite, as luzes da pista começaram a piscar e apagar de forma intermitente, denunciando a obsolescência de um sistema mantido sob morosidade. Durante a aproximação, o piloto de uma aeronave da Azul foi surpreendido pela escuridão irregular da pista e precisou arremeter às pressas para evitar um acidente.
Pane no escuro e combustível no limite
Vídeos gravados pelos próprios passageiros registraram o momento de tensão dentro e fora da aeronave. Como a falha no aeroporto não foi comunicada com a antecedência necessária para evitar a aproximação, a tripulação precisou lidar com a urgência já no ar.
Em um dos registros, o piloto assume o sistema de som para informar que, devido ao procedimento de arremetida e ao tempo de espera, o avião estava com restrição de combustível e seria obrigatório desviar a rota imediatamente para o Aeroporto de Foz do Iguaçu. Ao todo, três voos foram diretamente afetados por cancelamentos e desvios na malha aérea.
O contraste entre o discurso e a prática
Durante anos, o ex-prefeito Leonaldo Paranhos repetiu como um mantra que Cascavel possuía “o melhor aeroporto regional do Brasil e da região Sul”. A retórica de excelência, no entanto, derrete diante de um apagão estrutural que obriga aeronaves de grande porte a operarem no limite de sua autonomia e buscarem refúgio em cidades vizinhas.
A diretora de Administração Aeroportuária, Mara Lopes, explicou que o balizamento atual é antigo e que um projeto de modernização aguarda a conclusão de um processo licitatório. Enquanto a burocracia caminha a passos lentos, o sistema precário continua operando como principal, evidenciando que o gerador de emergência do terminal de nada serve se a fiação ou as lâmpadas da pista falham na hora do pouso.
O histórico da Voepass e a negligência da Transitar
Este não é um evento isolado em um terminal que ainda carrega o peso do luto. A cidade tenta se recuperar da tragédia com o voo da Voepass em 2024, que partiu exatamente de Cascavel antes de cair em Vinhedo (SP).
Reportagens e documentos oficiais revelados após o acidente escancararam uma rede de falhas graves e atritos institucionais entre a companhia aérea e a Transitar (autarquia municipal responsável por administrar o aeroporto). As investigações apontaram que a Voepass chegou a operar por meses no local sem um contrato vigente, imersa em documentações pendentes e omissão fiscalizatória por parte da gestão pública.
Omissão reincidente: As rachaduras na gestão do Aeroporto de Cascavel vão além da falta de manutenção preventiva de equipamentos vitais; passam também pela leniência administrativa com contratos e regras de segurança.
Quem vai assumir a responsabilidade?
Diante de aeronaves manobrando no escuro, falta de comunicação prévia e pilotos alertando sobre o limite de combustível, a pergunta que fica nos corredores do terminal e na mente dos passageiros é inevitável:
Cascavel está esperando uma nova tragédia acontecer para tomar providências definitivas? Quem é o verdadeiro responsável por mais essa falha técnica e operacional?
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Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
