Câmara debate moção da farinha sem glúten e vira as costas para Cascavel que sofre sem água, luz e crianças sem uniformes

Câmara debate moção da farinha sem glúten e vira as costas para Cascavel que sofre sem água, luz e crianças sem uniformes
Publicado em 10/05/2026 às 21:34

Vereadores priorizam pautas comemorativas na Sessão Ordinária desta segunda feira, ignorando problemas crônicos como falta de água, energia, uniformes atrasados e a omissão na CPI do Abuso.

A julgar pela postura dos nossos representantes, a cidade se transformou subitamente em uma verdadeira Dubai. Na cabeça dos vereadores, tudo está perfeitamente resolvido. Mas basta olharmos para a pauta detalhada da vigésima nona Sessão Ordinária, agendada para esta segunda feira, 11 de maio de 2026, para entendermos o distanciamento abismal entre os gabinetes climatizados e a dura realidade do cidadão cascavelense.

A agenda do dia traz discussões que, embora tenham o seu valor social, servem como uma conveniente cortina de fumaça para a falta de fiscalização rigorosa. Os parlamentares vão debater o Projeto de Lei numero 09 de 2026, que institui a Semana Municipal da Pessoa com Deficiência, e o Projeto numero 13 de 2026, focado na Política de Atenção à Saúde Mental.

Também estão na lista o Projeto numero 56 de 2026, que amplia a área do Parque Natural Municipal Paulo Gorski, e o Projeto numero 62 de 2026, criando o Dia de Conscientização sobre o Câncer Infantil. Como se não bastasse o foco exclusivo em datas comemorativas e pautas que não exigem confronto com a Prefeitura, há tempo até para a Moção numero 27 de 2026, um apelo distante ao Senador Marcos do Val sobre a isenção de tributos federais para farinhas sem glúten.

Omissão e Infraestrutura em Colapso

A grande pergunta que fica ecoando nos bairros esquecidos é: que Câmara é essa que não fiscaliza, não investiga e não cobra os secretários e o Prefeito?

Enquanto os nossos vereadores aprovam moção sobre farinha, as crianças da rede municipal continuam esperando a entrega completa dos uniformes escolares. As poucas peças que chegam possuem numerações completamente erradas. O básico falha miseravelmente.

Além disso, a população padece com a rotina de tormentos envolvendo a falta de água e energia elétrica. Somente neste ano, milhares de famílias enfrentaram dias inteiros com torneiras secas e apagões severos. Bairros ficaram no escuro, forçando o Procon a montar frentes de atendimento unicamente para lidar com os inúmeros prejuízos e eletrodomésticos queimados pela instabilidade da Copel. Essa situação, por consequência, paralisa as bombas da Sanepar e deixa a cidade em um verdadeiro colapso hídrico.

Silêncio Diante de Crimes Graves

Porém, muito pior do que a falência da infraestrutura é o silêncio cúmplice diante de negligências gravíssimas. Cadê a cobrança veemente pelo andamento do Processo Administrativo Disciplinar originado pela CPI do Abuso em um CMEI da cidade?

Onde está a pressão sobre a demora injustificável do Executivo para punir e afastar o ex servidor responsável por crimes contra crianças vulneráveis? O relatório apontou falhas sistêmicas severas na gestão, mas o escândalo parece ter sido varrido para debaixo do tapete. Onde estão os vereadores para bater na mesa e exigir respostas imediatas e punições exemplares sobre essa omissão institucional?

Eleitor Abandonado

A sensação que impera é de total abandono. Durante a época da eleição, o morador de Cascavel é abraçado e tratado como a pessoa mais importante do mundo. Passado o pleito, a população é entregue à própria sorte.

Nós, cidadãos, exigimos representantes que tenham coragem de olhar para os verdadeiros problemas estruturais e morais desta gestão, abandonando o comodismo das sessões vazias. Cascavel não precisa de maquiagem, precisa de respeito, investigação implacável e de vereadores que trabalhem de verdade pelo povo.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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