Se quem não deve, não teme… Então Paranhos teme o que para pedir paralisar as investigações no Tribunal de Justiça?

A determinação do Tribunal de Justiça do Paraná de interromper as investigações contra Leonaldo Paranhos, gestor de Turismo e antigo prefeito de Cascavel, recoloca no centro das atenções um escândalo que se arrasta desde o ano de 2023. O imbróglio engloba apurações de irregularidades, a expansão de 55% da área urbana do município e o loteamento Ecoparque Bairros Integrados. A iniciativa privada prometia erguer milhares de residências, mas segue estagnada, levantando fortes dúvidas sobre a interferência de grandes empresários nas decisões públicas locais.

O bloqueio judicial e a grande ironia política
A liminar concedida pelo desembargador Luís Carlos Xavier suspendeu o trabalho da Divisão Estadual de Combate à Corrupção. Os agentes buscavam desvendar um suposto esquema de comercialização de vantagens no setor imobiliário, o que incluía uma devassa nos bens de parentes de Paranhos. Os advogados de defesa alegaram constrangimento ilegal e foram plenamente atendidos pelo magistrado.
É justamente neste ponto que surge a grande contradição que ecoa pelos corredores da política local, algo que beira a ironia. Por qual motivo o antigo chefe do Executivo não permitiu que a investigação sobre sua família seguisse o curso natural? Paranhos, que no passado fez questão de posar para fotos ostentando a palavra transparência, parece não aplicar o mesmo conceito na própria vida pública. Se não há o que temer, por que não convocar a imprensa, apresentar documentos, abrir as declarações de Imposto de Renda e deixar que os investigadores comprovem que as denúncias são, de fato, inverídicas? A postura de buscar guarida judicial para travar o levantamento patrimonial joga uma pesada nuvem de desconfiança sobre o discurso de quem sempre pregou que não devia nada a ninguém.
O grande motivador das discussões é o empreendimento capitaneado pelo empresário Francisco Simeão. Apresentado como um gigantesco complexo habitacional, o Ecoparque projetava a construção de aproximadamente quatro mil e seiscentas moradias. Para que o negócio fosse adiante, a cidade precisava alterar profundamente suas leis de zoneamento.

Isso se concretizou quando Paranhos sancionou o novo Plano Diretor, aumentando o tamanho da área urbana em impressionantes 55%. Diversos especialistas alertaram na época para os graves danos ambientais e a incapacidade da estrutura municipal de absorver tamanho crescimento. Até o momento, as prometidas torres residenciais não saíram da planta e a fábrica responsável pelos materiais coleciona atrasos e prazos descumpridos.
Oferta de recursos a parlamentares
O aspecto que mais gera indignação popular aconteceu dentro da Câmara Municipal. Durante as sessões que debatiam as mudanças urbanísticas, Simeão afirmou publicamente que financiaria as campanhas eleitorais dos políticos de Cascavel, ressaltando que faria isso sem exigir favores.
https://oparana.com.br/politica/nunca-comprei-voto-diz-empresario-ele-afirma-que-ajudaria-bons-vereadores/: Se quem não deve, não teme… Então Paranhos teme o que para pedir paralisar as investigações no Tribunal de Justiça?Essa garantia de dinheiro ocorreu exatamente quando os vereadores se preparavam para votar a lei que viabilizaria o negócio do investidor. A perplexidade foi geral, mas a grande dúvida que paira no ar é a razão pela qual uma confissão tão clara de injeção financeira não motivou uma força tarefa imediata para investigar possível compra de votos antes da aprovação do texto. Enquanto as autoridades miravam o Executivo, a promessa aos parlamentares passou quase impune, evidenciando o peso do poder econômico no legislativo.
Três anos após o início de toda a movimentação, o cenário permanece nebuloso. O Ministério Público ainda conduz inquéritos sigilosos sobre as condições da obra, porém a decisão do Tribunal alivia consideravelmente a pressão sobre Leonaldo Paranhos e seu grupo político.
O forte contraste entre a agilidade dos parlamentares para mudar as regras urbanas e a lentidão da construtora para entregar os apartamentos mostra que o desenvolvimento de Cascavel guarda segredos profundos. A sociedade agora aguarda para ver o destino das apurações paralisadas e de um grande projeto erguido sobre promessas eleitorais, enquanto a tão aclamada transparência segue trancada a sete chaves nos tribunais.
Equipe
Editor Chefe: Evandro Nicolao
Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak
