“Casa Civil fez pra mim”: Mensagens de WhatsApp expõem Rogério Amaral usando o Governo do Estado para alavancar Paranhos

“Casa Civil fez pra mim”: Mensagens de WhatsApp expõem Rogério Amaral usando o Governo do Estado para alavancar Paranhos
Publicado em 23/07/2026 às 11:21

Rogério Amaral, que junto com a esposa Célia forma um casal de comissionados pagos pelo contribuinte, é flagrado em mensagens indicando o uso da Casa Civil e de seu cargo no Estado para pavimentar a campanha de Leonaldo Paranhos.

Por Reportagem Especial
23 de julho de 2026

CASCAVEL (PR), a linha tênue entre o interesse público e a politicagem partidária parece ter sido completamente apagada nos bastidores políticos do Paraná. Mensagens de WhatsApp obtidas com exclusividade expõem o que pode ser um dos maiores escândalos de uso da máquina pública para fins eleitorais nesta pré campanha. No centro da polêmica está Rogério Amaral, que compõe com sua esposa, Célia, um “casal de comissionados” sustentado com o dinheiro do contribuinte.

Os prints revelam uma postura de deboche com a administração pública, críticas veladas ao atual prefeito de Cascavel, Renato Silva, e, mais grave ainda, fortes indícios de que o aparato do Governo do Estado, especificamente a Casa Civil, estaria sendo utilizado para municiar e custear uma campanha eleitoral antecipada em favor do antigo prefeito Leonaldo Paranhos.

O “delivery” da Casa Civil e a rota de campanha com dinheiro público
Em um dos trechos das conversas obtidas pela reportagem, a naturalidade com que as informações de Estado são tratadas como trunfo pessoal choca. Rogério Amaral recebe e encaminha um documento em formato PDF intitulado “PREFEITOS E VICES ELEITOS 2024 APÓS 2º TURNO.pdf”.

A origem do arquivo é confessada pelo próprio comissionado com tom de arrogância: “Quem tem amigo é bom”, seguido de “Casa civil fez pra mim”.

A declaração levanta um questionamento imediato: desde quando a Casa Civil do Estado do Paraná atua como assessoria de campanha particular para cabos eleitorais comissionados? O uso de servidores, tempo e estrutura do Estado para mapear lideranças políticas visando as eleições de 2026 é um escárnio com o cidadão que paga impostos para ter serviços básicos, não para financiar o lobby político de Paranhos.

O “pepino” chamado Cascavel e a traição a Renato Silva
Se a relação com o Estado soa patrimonialista, a conduta em relação à atual gestão de Cascavel beira o cinismo. Em outra parte do diálogo vazado, Rogério rasga elogios a Paranhos (“Parnahos [sic] e fera”), mas não poupa críticas e descaso ao prefeito Renato Silva, de quem teoricamente deveria ser aliado.

“Cara não tem como Renaro [sic]”, digita Rogério, complementando com: “Acompanhar isso… Da medo viu”.

Logo em seguida, ele deixa claro qual é a sua estratégia financiada pelo Estado: “Meu jogo mesmo é ficar Estado. Correr o Paraná”. E finaliza com uma frase que ofende a cidade de Cascavel e sua população: “E fixar longe desse pepino. Longe operacional não político”.

Para o comissionado, os problemas da cidade, a gestão de Renato Silva e, por consequência, as demandas da população são apenas um “pepino” do qual ele quer distância. A prioridade é “correr o Paraná”, viajando com os benefícios e o salário do cargo comissionado, para pavimentar o projeto eleitoral de Paranhos.

O peso da lei sobre a campanha fora de época e o abuso de poder
As mensagens vão muito além da fofoca de bastidor; elas formam um arcabouço probatório que exige investigação imediata do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE PR) e do Ministério Público Eleitoral (MPE).

O uso de cargo comissionado para articulação política em horário de expediente e a utilização da estrutura do Estado esbarram em graves violações da Legislação Eleitoral e da Lei de Improbidade Administrativa.

A Data Limite: No ano eleitoral de 2026, a propaganda eleitoral só é permitida a partir do dia 16 de agosto. Qualquer ato de campanha, pedido de voto ou mobilização estruturada com fins eleitorais antes dessa data configura propaganda eleitoral antecipada, conforme o Artigo 36 da Lei 9.504 de 1997.

As Punições: A multa para quem realiza ou se beneficia de campanha fora de época varia de R$ 5.000,00 a R$ 25.000,00, ou o equivalente ao custo da propaganda, se este for maior.

O Agravante do Abuso de Poder: O Artigo 73 da mesma lei proíbe terminantemente ceder ou usar bens móveis e imóveis do Estado, bem como usar materiais ou serviços custeados pelo Governo, a exemplo dos relatórios elaborados pela Casa Civil, em favor de candidato ou partido.

Consequências para a Chapa: Se provado que Leonaldo Paranhos se beneficiou dessa estrutura estatal de forma antecipada, os envolvidos podem responder por abuso de poder político e econômico, de acordo com a Lei Complementar 64 de 1990. A punição prevê a cassação do registro ou do diploma, caso o candidato seja eleito, e a inelegibilidade por 8 anos, tanto para o beneficiário quanto para o agente público que facilitou o esquema.

A população de Cascavel e do Paraná não pode ser tratada como um mero “pepino” nas mãos de comissionados que transformam as secretarias de Estado em comitês eleitorais. Caberá agora aos órgãos de fiscalização responderem à sociedade se os impostos dos paranaenses continuarão bancando as viagens e os projetos de poder do casal de comissionados, deixando a exigência de rigor e a palavra final com a Justiça Eleitoral.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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