Justiça decreta prisão preventiva de professora e empresário por pornografia infantil no Paraná

Justiça decreta prisão preventiva de professora e empresário por pornografia infantil no Paraná
Publicado em 20/07/2026 às 22:53

Uma professora da rede municipal de ensino de Céu Azul, no oeste do Paraná, e um empresário da região foram presos preventivamente sob suspeita de produzir e compartilhar imagens de pornografia infantil. A prisão dos dois ocorreu na manhã de quinta-feira (16), e ambos seguem detidos na Cadeia Pública de Medianeira à disposição da Justiça.

Como a investigação chegou ao caso

O inquérito que levou às prisões nasceu de outra apuração, conduzida pela Delegacia da Mulher de Cascavel, que já tinha o empresário — Fernando Antônio Dorne, 53 anos, conhecido na região como “Homem do Chapéu” por ter apresentado um programa local de sorteios — como investigado. Foi ao vasculhar o material apreendido nesse primeiro inquérito que a polícia encontrou indícios de crimes cometidos em outros municípios, incluindo Céu Azul, segundo a delegada Jéssica Maria Farias Silva, da 46ª Delegacia Regional de Polícia de Matelândia.

Esse achado deu origem a um novo inquérito, dedicado exclusivamente a apurar os fatos ocorridos em Céu Azul. Com base nele, a Justiça autorizou um mandado de busca e apreensão contra a professora, de 52 anos, cumprido em 10 de julho. Foi esse material recolhido — aliado às evidências do inquérito original — que embasou o pedido de prisão preventiva dos dois, posteriormente deferido pelo Judiciário.

A reconstrução do esquema pela polícia

Segundo apurado pelas autoridades, a professora atuava em uma creche da cidade e, valendo-se da rotina de trabalho — especificamente do momento de troca de fraldas dos bebês —, produzia as imagens que depois enviava ao empresário, com quem mantinha um relacionamento. De acordo com a investigação, o envio das imagens ocorria a pedido dele, o que aponta para uma dinâmica de produção sob demanda, e não de registros isolados.

A polícia trabalha com a hipótese de que essa prática se estendeu por anos, o que motivou a perícia técnica nos aparelhos apreendidos. Os celulares dos dois investigados foram encaminhados à Agência de Inteligência da Polícia Civil, que deve extrair dados dos dispositivos para confirmar a existência do material, reconstituir a linha do tempo dos envios e mapear se houve compartilhamento com terceiros.

Os crimes apurados — produção e compartilhamento de imagens com conteúdo de nudez infantil — estão tipificados nos artigos 240 e 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Sigilo e próximos passos

Diante da gravidade do caso e da vulnerabilidade das vítimas — crianças na primeira infância —, a identidade da professora e outros detalhes do processo permanecem sob sigilo. A delegada informou que novas informações só serão divulgadas ao final do inquérito, medida adotada para preservar a intimidade das vítimas.

A Polícia Civil mantém as investigações em andamento para verificar se há outras vítimas ou outros envolvidos no esquema.

Equipe

Editor Chefe: Evandro Nicolao

Departamento Jurídico: Dr Moacir Vozniak

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